Um gato sem botas de coleira e Platão 

Descemos com o Yubi de coleira ontem para o gramadinho em frente ao prédio. Estranhou no começo, mas logo que encontrou a grama esqueceu que estava em campo aberto, digamos assim. O céu estava estrelado, dessas coisas que só o interior proporciona, desculpa-e a noite abafada. E eis que a única vez que segurei a coleira, ele se desvencilhou dela. Bem de frente pra cerca elétrica do prédio. O passeio dele acabou ali, coitado. 

Quando subiu pro apartamento logo se jogou no tapete da sala e ficou rolando, enquanto as gatas o contemplavam placidamente. Ele naquele momento era o prisioneiro do Mito da Caverna de Platão, que depois de sair da caverna e entrar em contato com o mundo real e a natureza, volta para a caverna para contar aos outros prisioneiros o que viu, mas é desacreditado pelos demais, afinal, a caverna é o mundo real destes. 

E pensar que o lugar de onde eu entro e saio livremente todos os dias, é todo o universo dos meus gatos de apartamento.

A rotina minimalista.

“A gente só leva da vida a vida que a gente leva”
Tom Jobim (em entrevista ao O Pasquim em 12/11/1969)

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Aproveitamos a volta pra cidade natal pra recomeçar em vários sentidos. A começar pelo apartamento. O nosso último era muito espaçoso, mas fazia com que juntássemos mais coisas que o necessário – além de não conseguirmos fazer nada à pé, tudo fazíamos de carro. O apê de agora é pequeno, tivemos que nos desfazer de muitos supérfluos e nos perguntar: precisamos disso? Ficou apenas o essencial ou o que gostamos muito.Aqui no bairrinho fazemos quase tudo à pé: academia, restaurante, padaria. Em 2 meses fizemos mais coisas à pé que nos 2 anos em SJCampos.

Eu adoro varandas. E a do último apartamento era enorme, grande mesmo. Mas tinha uma vista feia, quem queria ficar sentada olhando pro estacionamento ou pro prédio vizinho? Então decidimos que prezaríamos qualidade de espaço antes do tamanho. A varanda atual é pequena (pra não dizer minúscula!), mas inversamente muito mais aproveitada por nós e pelos gatos. E a vista é linda. Sem falar na revoada de ararinhas todo final de tarde, daquelas coisas que não tem preço.

há uma vida maravilhosa.

De olhos e coração abertos <3

De olhos e coração abertos❤

Sou a primeira a deitar e rolar na amargura das coisas que não deram ou não estão dando certo. Falo isso de cátedra. Fiquei pensando nisso no papo que rolou nos comentários de ontem*.

Quando eu tinha 28 anos, saí de um casamento de 8 anos. Lembro que na época achava que minha vida tinha acabado, me achava velha (!), especialmente em comparação aos amigos da minha idade. Voltei a morar com meus pais e realmente não tinha muitas expectativas do que poderia acontecer. Queria voltar a estudar (coisa que comecei e parei nesses anos todos, quem me lê desde aquela época conhece a velha história), trabalhar – mas nem imaginava encontrar um grande amor. Pra mim, amor romântico tinha morrido, escafedeu-se.

Quem diria que depois de 3 meses de tomar essa decisão, minha vida mudaria tanto. Conheci o namorido, conheci outros países, outras tantas pessoas, mudei de estado, emprego, compramos e vendemos nosso primeiro apartamento, nosso carro o Pedra-Pomes ainda está com a gente, e como diz a Mallu Magalhães: e se perguntarem por mim, diga que estou ótima.

7 anos depois, com um companheiraço e 3 gatos debaixo dos braços, faço das palavras da Brenda Myers-Powell, minhas:

Estou aqui para te dizer – há vida depois de tanto sofrimento, de tanto trauma. Há vida mesmo após as pessoas te dizerem que você não vale nada. Há vida, e não apenas uma vidinha qualquer. Há uma vida maravilhosa.

*eu queria sempre poder interagir mais com quem me lê, mas entendo que as pessoas nem sempre comentam, afinal, eu mesma leio tanto blog e dificilmente comento😉

sobre ser adulta.

you've got this

Ontem eu escrevi sobre a epifania que  tive ao me ver refletida no espelho. Essa minha dificuldade de me ver como adulta. Para todos os fins e propósitos sou adulta: já me casei, já me divorciei, casei de novo, dirijo – inclusive aprendi a dirigir enquanto morava em outro país que usa mão inglesa, onde morei um tempão, e ainda cuido de mim e mais 4 seres vivos. Por que então não me sentiria adulta?

Muitas outras mulheres se sentem assim, vide amigas. Muitas também são casadas, com filhos, em excelente posição profissional e ainda assim, meninas por dentro. Uma dessas amigas sempre diz: ser adulta é um saco – como assim gastar o seu dinheiro responsavelmente em uma cozinha nova quando a mesma quantidade de dinheiro te levaria pra vários lugares do leste europeu por 2 semanas? Pois é. Hoje eu estava falando de uma “senhora” pro meu marido e de repente me dei conta que ela era 4 anos mais velha que eu, e me ocorreu que muita gente deve se referir à mim assim, tipo ali do lado daquela senhora.

Não é uma síndrome de Peter Pan, veja bem. Eu adoro ter minha casa, carro, emprego (embora agora não), pago meus impostos, faço supermercado e cozinho – de jeito nenhum quero viver como uma adolescente – mas volta e meia me assusto ao me ver assim, adulta, ou pelo menos a imagem de uma.

o novo que nasce.

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A primavera está perto, o que traz em mim aquele sentimento de renovação. I’m a sucker for fresh starts, seja segunda-feira, primeiro dia do mês ou uma nova estação. Em Setembro faço minha famosa limpeza de primavera, que deixa a casa e o coração leves. Essa semana estou também cuidando da minha saúde e marquei consultas a semana toda com vários especialistas.

Então hoje eu fui ao endocrinologista, o mesmo que me diagnosticou com ovário (micro)policístico há 19 anos atrás. E antes de entrar no consultório dele peguei um reflexo meu no espelho: pela primeira vez em minha vida eu me assustei com a imagem de uma mulher adulta me olhando de volta. Sempre me achei muito moleca, e hoje eu vi aquele mulherão, com a pele, o cabelo, a  compostura de uma mulher de 36 anos. E mesmo acima do peso (estava lá pra juntos investigarmos o meu ganho de peso), me senti bonita. Achei que devia deixar isso registrado aqui😉

8 anos atrás.

oi

anna karina

Voltei. Amanhã é o casamento da minnha irmã e estou muito feliz por ela. Essas semanas tem sido agitadas, ajudá-la a escolher o vestido, maquiagem, cabelo, venue, o ombre hair que fiz no meu cabelo, a faculdade (sim, estou estudando, finalmente), a procura por um estágio (sim, é preciso começar de baixo quando se troca de área), e o meu violão – coitado – nem afinado foi depois da mudança.

Essa minha mania de levar tudo à ferro e fogo. Vou continuar falando de moda aqui no blog sim, é um assunto que eu gosto muito, mas não muito focado nesse negócio de look do dia, peguei ranço desse negócio. Mas vou voltar a fazer o Provador e falar das coisas que estou consumindo no momento❤

aniversário e pausa

I miss you, Nessa <3

I miss you, Nessa❤

Agosto de 2014 foi um mês tão difícil. E cá estamos um ano depois, ainda viva, ainda sorrindo, ainda achando alegria nas pequenas coisas. Amanhã é meu aniversário, e hoje à noite tem sushi na casa da minha mãe.

Também aproveito pra dizer que esse mês eu não vou escrever por aqui, preciso de férias de escrever (tem tanta gente escrevendo tanta coisa legal por aí!). Enquanto isso você pode ler as bobagens do arquivo desde 2006❤

Que Agosto seja simplesmente o melhor mês desse ano, pra mim e pra você.

Acabou, SJCampos.

Acabou, SJCampos. Vou sentir falta disso: caldinho no frio, fim de semana no litoral e cerveja no Chaparral, pegar um Pássaro Marrom pra São Paulo, aprender que quem nasce aqui é Joseense e não São-Joseense (obrigada) – cidade do avião e do bolinho caipira – festa junina do São Dimas (os churros das freirinhas!), brincar de montanha russa na descida do Habib’s, os piqueniques sinfônicos da Orquestra Filarmônica de SJC no Vicentina Aranha, açaí com leite ninho em qualquer lugar, andar no Maconhão, andar no Esplanada (e morrer naquela subida da Etep), maior concentração de gente bonita por metro quadrado, fazer um bate-volta pra Campos do Jordão, a comida do Al Badah, lanchinho a qualquer hora na Padaria Pão de Queijo. E todas as pessoas que conheci aqui❤

Cidade tão querida, você fez parte da minha vida.

Antes daqui: Acabou, Campinas.

Quem me segue no IG já viu que eu e o Giovanni voltamos pra nossa cidade natal. Comigo não trabalhando e com ele trabalhando de casa (ele trabalha pra um instituto de pesquisa no Canadá, que desenvolve tecnologia de acessibilidade, é super interessante), esse nos pareceu o momento certo pra voltar❤

Nadas importantes.

Which of all my important nothings shall I tell you first?
Jane Austen, from a Letter: Wed-Fri, 15-17, June 1808

Esses dias tem sido corridos, depois eu conto o porquê. Mas só sei que junta isso, com a viagem que vou fazer com a minha mãe e outras minúcias, pronto. Já é 19:15, parece que acabei de acordar, passou muito rápido!

yucca

Cozinhar todos os dias, almoço e janta, é um exercício de imaginação. Temos tentado comer menos carne, acho que foram aquelas duas semanas de Dukan que eu fiz que ó, peguei ranço de carne. Hoje a janta é sopa de ervilha com crouton. E estou simplesmente maluca pra fazer sagu de vinho com creme de baunilha.

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Elaine.

Nós temos Hulu em casa, e desde junho o Hulu adquiriu os direitos de transmitir TODAS as temporadas de SEINFELD, só a melhor série de TV ever. Better Call Saul (alô fãs de Breaking Bad!) e GoT já acabaram suas respectivas temporadas, então estou revendo Seinfeld todos os dias. É demais, a série acabou há 17 anos (!!!) e continua super atual. A definição de clássico.