allen & bergman

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Como não tem rede pra esticar na varanda nem nada e já assisti dois filmes e não é nem 3 da tarde, vim ler o New York Times no computador. E achei este artigo do Woody Allen sobre o Bergman. E as pessoas o perguntam como Bergman o influenciou e ele disse “ele não poderia ter me influenciado, eu disse, ele era um gênio e eu não sou um gênio, e gênio não pode ser aprendido ou sua mágica passada à frente”.

E o que o Bergman faz em Persona (foto acima) é tão genial mesmo que você acaba achando Mulholland Drive do Lynch raso em comparação. E o Allen fala no artigo, de que a primeira coisa que te ensinam na escola de cinema é sobre movimento – o que diferenciaria o cinema da fotografia – e Bergman faz o contrário nesse filme, a câmera se concentra no diálogo dos personagens, e você acaba sendo sugado pela história. O contrário do cinema de hoje, né. Assista Duro de Matar 4.

Eu tive um professor de história no terceiro colegial com o qual eu gostava de conversar sobre filmes e arquitetura no final das aulas (eu era meio fanática sobre a arquitetura Bauhaus e ele gostava de falar sobre Bauhaus e impressionismo alemão no mesmo contexto) e ele que me disse pra ver Persona. E eu achei o Bergman tão esperto, porque ele fez a personagem que faz a atriz ter a id dela em forma de enfermeira. Queria assistir de novo.

scoop

Hugh Jackman, Scarlett Johansson e um mágico – The Prestige, anyone?

Mas enfim, o final foi tão Woody Allen, porque embora ele esteja envelhecendo ele não é acometido de umas crises espirituais tipo Gregório de Matos e tal, até achei que teria uma cena em que ele não teria o dinheiro do gondoleiro e diria “mas quem carrega uma moeda de prata na carteira?” ou coisa assim. Engraçado que muitas mitologias tem isso, né. O gondoleiro. E eu falo que é pra ter música e comida no meu velório, só coisa doce, claro, umas tortas e tal. Aquele costume americano de todo mundo comer depois do velório (mas os japoneses também fazem isso).