dylan thomas

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E só hoje eu fiquei sabendo que estão filmando una película sobre a vida do Dylan Thomas, que está lado a lado da Sylvia Plath e e.e. cummings na lista de meus poetas preferidos ( e Robert Frost, Elizabeth Bishop… São vários, na verdade). Isso porque eu fiquei felicíssima quando assisti The Weight of Water com o Sean Penn, que faz um poeta divido entre sua mulher e relações extra-conjugais (aliás, o filme não gira em volta disso – só me lembrei dessa parte da narrativa porque ele cita o poema que eu mais gosto do Dylan). Assim como Dylan Thomas. E o novo filme vai falar disso.

É meio decepcionante, porque quando fui assistir Sylvia c/ a Gwyneth Paltrow, eu queria ver a poeta – não como as pequenas coisas a sufocaram e como o relacionamento dela com o Ted Hughes foi um buraco negro; muito pouco foi falado de seu trabalho – mas eu gostei daquela pequenina parte emq ue mostra ela recitando “Daddy” (daddy, daddy, you bastard, I’m through) – porque se você já ouviu a Plath recitando Daddy você deve ter se arrepiado quando ouviu a Gwyneth. Mesmo porque eu realmente acredito que você não precisa necessariamente saber da vida de um poeta da gostar de suas poesias – porque agora tudo quanto é scholar da Plath tem que fazer um contrast&compare da obra com a vida dela – porque é isso que o público quer ler – um pouco de desgraça.

E a Keira Knightley e a Sienna Miller estão no filme, como amante e esposa de Dylan Thomas, respectivamente (na foto acima, as duas, entre uma cena e outra, descontraindo- me faz ter vontade de ir na praia no frio mesmo (com umas wellington boots igual das menians acima, que os ingleses chamam de wellies – praticamente tudo soa melhor em British, não acham?).

O nome do filme é The Edge of Love (a roteirista do filme é mãe da Keira). O filme está marcado para estrear em abril do ano que vem, mas já está na lista de filmes para assistir.

And Death Shall Have No Dominion

And death shall have no dominion.
Dead mean naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan’t crack;
And death shall have no dominion

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Through they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.

Dylan Thomas
(em negrito, minha parte preferida)

a redoma de vidro

Hoje eu até que não odeio a Lya Luft. Me interessei por ela ao ler uma de suas colunas na revista Veja – interessei-me porque odiei-a à primeira lida. Achei clichê e deveras sentimental. E como sempre pesquiso um(a) autor(a) antes de ler alguma de suas obras, descobri que a Lya Luft traduziu para o português o livro The Bell Jar ( a redoma de vidro) da minha amada Sylvia Plath.

Li a Lya por causa da Sylvia, veja só.

O David Bowie, o eterno camaleão do rock, uma vez disse que você não olha para o Warhol (Andy Warhol, artista plástico americano) e pensa “aquele cara que pintou latas de sopa”, mas sim “o que aquele cara tem de tão interessante que o fez pintar latas de sopa?”. E o mesmo sucedeu-se com a Lya – o que ela tem de tão interessante que a compeliu a traduzir Sylvia Plath?

“Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem.” – LYA LUFT, escritora.

carta à uma poetisa

rory sylvia

Rory Gilmore lendo The Unabridged Journals of Sylvia Plath

Estou lendo The Unabridged Journals of Sylvia Plath. E os poemas de Ana C. – não me surpreende que a segunda teve o fascínio suficiente para traduzir a primeira e que as duas tiveram o mesmo fim por quase as mesmas angústias. Ler Sylvia Plath é como ler a mim mesma. Quantas vezes não li Ariel e Lady Lazarus a pensar que estava lendo o reflexo de um espelho? Há dias em que não consigo sequer pentear o cabelo, outros em que apenas a luz que entra pela cortina do quarto me fascina e me faz entender a beleza do mundo, a beleza de ser, de existir.

Às vezes queria te dizer que seis anos me fizeram mentir e me negar, por isso guardo nosso tempo juntas em uma pequena caixa, a little pandora box, onde por vezes me acho e me perco. Sobrevivo com as sobrancelhas semi-arqueadas, às avessas com o que me cerca. Sou eu tão errada em me enterrar em meu pequeno universo?

“(…)Pois não há tempo, pois não há mais tempo, em vez disso há o medo súbito e desesperado, o relógio que bate e a neve que cai de repente demais após o verão. Certo, sou dramática e meio cínica, indolente e meio sentimental. Mas nos anos fáceis poderei amadurecer e descobrir meu caminho. Agora estou vivendo numa situação crítica. Estamos todos na beira do precipício, isso exige muito vigor, muita energia, seguir pela borda, olhar para baixo, ver a escuridão profunda sem ser capaz de identificar através da névoa amarelada e fétida o que jaz abaixo do lodo, na lama que escorre cheia de vômito; e assim sigo em frente, imersa nos meus pensamentos, escrevendo muito, tentando achar o centro, um significado para mim.(…)”
– Os Diários de Sylvia Plath (essa passagem do diário foi escrita quando ela tinha 18 anos)

ARIEL

Estancamento no escuro
E então o fluir azul e insubstancial
De montanha e distância.
Leoa do Senhor
Como nos unimos
Eixo de calcanhares e joelhos!… O sulco
Afunda e passa, irmão
Do arco tenso
Do pescoço que não consigo dobrar.
Sementes
De olhos negros lançam escuros
Anzóis…
Negro, doce sangue na boca,
Sombra,
Um outro vôo
Me arrasta pelo ar…
Coxas, pêlos;
Escamas e calcanhares.
Branca
Godiva, descasco
Mãos mortas, asperezas mortas.
E então
Ondulo como trigo, um brilho de mares.
O grito da criança
Escorre pela parede.
E eu
Sou a flecha,
O orvalho que voa,
Suicida, unido com o impulso
Dentro do olho
Vermelho, caldeirão da manhã.

(Tradução: Ana Cândida Perez e Ana Cristina César)