hamamatsu

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E um shopping, o Aeon Jusco, abriu na cidade vizinha, esse shopping também tem aqui, mas o que abriu lá – em Hamamatsu – é muito maior E tem GAP. Reverência, pessoas. Daí ontem lá pelas 3 da tarde, com o sol batendo a 35°C, pegamos a estrada. Nem confiança pro sol – salve salve Coppertone.

E eu fui pra isso mesmo – ir na GAP e voltar com coisas boas (porque duram e duram, roupas Duracell), legais (porque eu iria tranqüila com uma das camisetas que comprei num show do Strokes, tipo olha A MAGNITUDE da bacanice) e baratas (auto-explicativo, né). Voltei com umas camisetas listradas, um cinto xadrez e uma bolsa amarela.

E hoje à noite tem chuva de meteoro. Quero ver.

(a foto é de um trecho da estrada que é beira-mar. pico de surf, esse lugar. o mar é muito bravo e quase não tem praia)
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Em Nagoya, novamente

Passei o dia em Nagoya no bairro de Sakae. Primeira parada: a Torre Eiffel japonesa – a Torre de TV de Nagoya (que eu ainda não havia visitado), construída em 1954 e a mais antiga construída no Japão. Assim é comparada com a Torre Eiffel em Paris não só por sua estrutura, mas também pelo deck de observação que oferece e seu restaurante no deck inferior. Não almocei no restaurante da Torre, achei muito mais agradável comer na praça situada embaixo da Torre, com muitas árvores e cafés, com mesinhas distribuídas pelo chão de mosaico – enquanto consultava o mapa para a nossa próxima parada, me deliciava em um gelato de morango fazendo o que mais gosto: observar as pessoas.

Ao longo da Torre de TV está situado um parque com muitas árvores e um chafariz grande, onde as pessoas sentam e comem, crianças brincam e uma Feira do Produtor acontecia ali mesmo, com produtos locais, claro: mel, flores, leite e frutas com os stands usuais de comidas e bebidas – uma verdadeira profusão de aromas e cores. Também visitamos o Oasis 21 novamente.

De lá, segui até o Museu do Robô (Robot Museum), inaugurado em outubro passado. Na galeria de robôs estão expostos robôs de filmes, como a robô de Metrópolis e o C3PO de Star Wars e outros. Também havia os primeiros computadores apple macintosh e muitos e muitos brinquedos. Se você entende japonês, você é entregue um iPod com a narração da história e evolução dos robôs e seu papel no imaginário coletivo – aquela coisa junguiana do inconsciente coletivo, acho. Há também um workshop onde você pode montar seu próprio robôzinho (acho que há uma taxa adicional, mas não tenho certeza, estava muito cheio). Logo na entrada experimentei andar em uma Segway scooter
Almocei em um Outback steakhouse e de volta à Estação Central de Nagoya (onde fica a Sanseido Bookstore; voltamos com alguns livros sobre gastronomia) fui na roda-gigante do Sunshine Sakae – uma roda-gigante de 42m que está presa à parede lateral do shopping.

De novo?

terremoto

Hoje de manhã eu estava na poltrona da sala assistindo um filme, quando minha poltrona começou a chacoalhar, um pouquinho, depois um pouco mais forte. Olhei para o lustre da sala e o mesmo estava balançando, o do quarto também. Esperei um pouco e o tremor não passava. E agora olhando na página do Yahoo.com vi a chamada “terremoto no Japão mata ao menos 1 pessoa” – entrei e li que um terremoto de magnitude 6.9 atingiu a Província de Ishikawa, às 9:42 da manhã, hora local. Ishikawa é perto daqui.

Vale lembrar que aqui a magnitude é medida pela Escala JMA (Japanese Metereological Agency) e não pela Escala Richter. Um terremoto de 6.9 na escala japonesa, as pessoas não conseguem ficar em pé ou se mover sem se arrastar.

Aqui as pessoas falam de terremtoo como falam do tempo. Nas fábricas temos “drills” (ensaios) de prevenção em caso de terremoto. É um assunto constante. Todo mundo tem em casa uma mochila com cópia de passaporte e outros documentos essenciais, pilha e lanterna e comida enlatada, o básico. Quando cheguei aqui é claro que não me acostumava com a tranqüilidade com que as pessoas conversavam sobre o assunto, como no intervalo do trabalho, todos tomando café e comentando “então, o terremoto de ontem…”, eu achava o fim. Até que fui morar em Nagoya.

Eu morava em um prédio de 14 andares de frente para o Porto de Nagoya (tenho que contar mais sobre essa época, definitivamente) e um terremoto de magnitude 6 atingiu a cidade – meu prédio, construído na década de 60, jogava de um lado para o outro. Deu muito medo aquela sensação de o prédio todo ser de gelatina, mas o pânico passou depois desse episódio. Sempre alerta, já diziam os escoteiros.

shakespeare odeia seus poemas emo

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Meio-dia e 50 peguei um ônibus até a estação. O mesmo ônibus que eu pego todos os dias. Comprei meus passes mensais e como tinha quase 30 minutos até meu próximo ônibus fui até o terceiro andar do shopping da estação central (de trem, trem-bala, táxi, ônibus…) e em uma loja no terceiro andar encontrei umas sacolas de algodão cru e o bacana da história é que eles deixam carimbos para você personalizar sua sacola.

Na sacola menor escrevi: better than vuitton (melhor que Vuitton) – e ainda tem gente que compra falsificada e paga muito caro por isso – por favor. Na sacola maior escrevi shakespeare hates your emo poems (que é o título desse post) – a frase é de uma camiseta da Threadless, um site para aficcionados em camisetas.

com a mão na massa

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Depois de quase 3 semanas consecutivas trabalhando no sábado, hoje estou em casa – e estou afim de fazer tanta coisa. Comecei a pintar minha tela, que já estava fervilhando in my mind’s eye. Sabe quando uma coisa te obceca e enquanto você não a exorciza ela não vai embora? Pois é, essa tela é assim. Estive a ver muita iconografia japonesa e a escama de peixe é a minha preferida. Ainda falta muito chão pela frente, mostro só depois de pronto.

Já são quase 11 da manhã, eu deveria estar na Estação Central comprando meu teiki (passos mensais de ônibus e trem), mas fiquei assistindo filme e agora acho que vou só depois do almoço. Tenho um rolo de filme que preciso zerar, está dentro da máquina, ainda da viagem à Nagoya, quem sabe eu levo minha SLR e tiro umas fotos de uns tótens que estão em uma rua alí perto.

ZZZzzzz

Talvez um dia eu fale do meu trabalho detalhadamente, talvez um dia eu te conte como os japoneses realmente são – como é pegar o trem, o ônibus, como esse lugar é estranho. Talvez. Mas olhe, pense bem antes de reclamar de seu trabalho comigo, porque não sou nem um pouco do tipo que passa a mão na sua cabeça. Como a Ani DiFranco canta : maybe you don’t like your job, maybe you didn’t get enough sleep, well, nobody likes their job, nobody got enough sleep…”— talvez você não goste do seu emprego, talvez você não tenha dormido o suficiente, bem, ninguém gosta de seus empregos, ninguém dormiu o suficiente.

Estou um pouco cansada de pessoas nhém nhém nhém, que só reclamam. Por favor.

Nagoya em fotos

Nagoya continua linda, suas pessoas e praças, onde o contemporâneo e o avant-garde se encontram (como no Oasis 21 – primeira foto – um espelho d’água suspenso com passarelas de vidro). Só lamento não ter visto a exposição que estava rolando no Nagoya-Boston Museum of Fine Arts, com trabalhos de Titian, Rembrandt, Gainsborough, Degas, Rodin e Picasso.

Visitei o templo no bairro de Osu Kannon (segunda foto) e suas pequenas lojas e ruas, andamos o dia inteiro visitando vários bairros. Em Sakae, está o shopping district da cidade, com vários shoppings mega-enormes: Mitsukoshi, Matsuzakaya, Maruei, e o Parco que é gi-gan-tes-co. É lá que estão as lojas da Louis Vuitton (*bléh*), a Gucci, com vendedoras e vendedores ultra-lindos e lojas mais simples e ultra-populares como a GAP – entrei e comprei 2 suéteres muito macios de lã italiana, uma barganha – a loja estava cheia de gringas, os homens todos sentados perto da porta enquanto nós mulheres lutávamos por suéteres.

Até pensei em ir na Tokai-dori, onde morei lá em Nagoya, mas era muito longe e ainda queria ir no Takashimaya – um shopping de 11 andares na JR Nagoya Station. Meu andar preferido é o décimo primeiro, a livraria Seibunkan, mas me decepcionei, porque a seção de livros estrangeiros diminuiu em tamanho, agora é mais ou menos ¼ do que era antes. Depois subi ao décimo terceiro no Starbucks, eu sei, baristas odeiam o Starbucks porque o café é uma droga – mas eu adoro e o espresso deles é de outro mundo.

Tomei um Caramel Frappuccino.

E falando em Nagoya, mais um item riscado da minha lista:

  • item #6: Visitar Nagoya – mas pretendo voltar mais vezes.

segunda, Iemanjá e frio.

Saí do trabalho de bicicleta e fui até a estação de trem. E esqueça a data em que o inverno começa – quando você sai e seu rosto e suas mãos congelam em 2 minutos, o inverno chegou. Parei em uma loja de conveniência (que os japoneses chamam de kombini – do inglês convenience store) e peguei um latte do Starbucks e inerte pelo frio sorvo o latte pensando que o logo do café em questão parece Iemanjá.

Já na estação de trem, um senhor lê um livro de pernas cruzadas, um rapaz folheia sem interesse uma revista e uma mulher ao meu lado troca e-mails em seu celular e balança o pé. Em meu canto penso que amanhã preciso vir de touca e um cachecol mais grosso. A estação então vazia se enche de rostos pálidos, pessoas segurando copos de papel com café. Já no trem, sento-me ao lado de uma mulher em seus 25 anos, praticamente embrulhada em um cachecol que chega-lhe às bochechas, ela parece um origami. Ela senta-se polidamente segurando uma enorme bolsa e um saco de papel. Aposto que tem pão dentro.

Mais um dia que acaba.