sobre moda. e como eu me cansei dela, como indústria.

truecost

Acabei de assistir o documentário The True Cost. Nele, o diretor Andrew Morgan explora qual o verdadeiro custo das roupas que vestimos, sobre as pessoas que as fazem, e o impacto que a indústria fashion está causando em nosso mundo..

Investigativo, instigador, no começo do documentário ele disse que mudou o jeito dele de ver a indústria fashion e espera que a nossa percepção mude também. Certamente mexeu comigo. Na verdade, fiquei com o estômago embrulhado, pois eu sou parte do problema.

Há algum tempo eu tenho buscado uma vida mais simples. Era só olhar o meu guarda-roupa e minha conta do cartão de crédito pra ver que havia um descompasso entre o que eu quero ser e o que eu realmente fazia. Action speak louder than words.

Há em mim um anseio muito grande de participar do mundo natural de forma mais real e significativa, e certamente menos consumista. Desde o começo desse blog, moda tem sido um assunto recorrente. Eu achava que gostava de moda, mas eu acho que eu gostava só de roupas mesmo. Há essa diferença, mas muita gente nem percebe. Eu gosto do processo de criação, que já é outra coisa (não só necessariamente de moda, mas todo processo de criação me fascina).

Documentários assim reafirmam essa minha vontade de uma vida menos barulhenta, menos consumista, menos descartável. E que roupa é só roupa. Eu juro que se eu ver mais um “vídeo de comprinhas” (shopping haul) eu vou vomitar. Já dizia Lulu, há tanta vida lá fora e aqui dentro sempre, como uma onda no mar. Pessoas gastando o dinheiro que não tem, pra comprar coisas que não precisam, pra impressionar pessoas que não gostam delas. Porque as pessoas que te amam e te querem bem preferem que você gaste o dinheiro que você realmente tem, pra viajar, comer bem, viver de verdade.

Eu particularmente me cansei desse nicho. Não quero mais falar de moda como tenho feito, desse jeito, reconhecidamente superficial. Não me interessa suas comprinhas do mês, o seu look do dia ou o seu esmalte da semana. Coisas que eu fazia também, veja só.

Eu quero idéias, pessoas de verdade. Mas mais do que isso, eu quero ser de verdade.

Leitura excelente:  Não adianta mudar de marca: você precisa mudar a sua lógica de consumo.

o esforço combinado

“Nothing of me is original. I am the combined effort of everyone I’ve ever known.”

Chuck Palahniuk, Invisible Monsters

DOMINGO

Hoje eu aceito isso, de ser o esforço combinado de todas as pessoas que já conheci, de todos os lugares que vi e vivi. Não me cobro tanto, de ter a fagulha da originalidade acesa 24 horas por dia. Há de se lutar por ela, entretanto.

Já faz 2 meses que estou em casa. Não estou contando, mas hoje não sabia que dia da semana era (quinta? sexta já talvez?) – hoje é quarta-feira, hump day. Quando se está trabalhando essas coisas não te escapam. É puro deleite, confesso, ficar em casa nos horários que você previamente estaria trabalhando; pra mim a hora mágica é as 3 da tarde, porque inescapavelmente eu estaria no meio de uma aula, ou reunião, ou whatever.

Devoro livros, filmes, notas musicais, café. Leio os livros de receita daqui de casa (Nigella, Martha, Rita me fazem companhia). Há dias em que tudo inspira e tantas idéias fluem, outros dias, como hoje, frios e sonolentos, e inevitavelmente infrutíferos. Há tantos planos em ação, fico feliz deles estarem acontecendo, pouco a pouco.

Life has a way of working itself out 

 

inspiração: cozinha escura

Palheta de cores escuras, só no guarda-roupa. Sempre gostei da casa mais iluminada e colorida, mas ultimamente tenho gostado bastante dessa tendência de cozinha escura (pode ser pelo fato de que quero uma parede tipo blackboard).

dark kitchen

dark kitchen (3)

dark kitchen (2)

E um post sobre cozinha não podia ficar sem comida, certo? Aqui, várias opções de entrada (por causa da dieta não posso comer abacate, então adivinha o que eu estou com vontade de comer).

dark kitchen eats

Na livraria: o quê que ela tem que eu não tenho

  

Somos (como um todo) fascinados pela parisiense. Como ela come, se veste, cria os filhos – vide o livro queCaroline de Maigret e suas amigas escreveram, onde várias dicas de “como ser parisiense” não é pra serem levadas muito à sério.  Já esse livro é levado muito à sério, como se houvesse uma fórmula para alcançar o je ne sais quoi das francesas.

Como a imagem da mulher brasileira que é projetada fora do país não bate com a nossa realidade, imagino que o mesmo se aplique às amigas francesas. Quando esse livro da Fressange saiu, até as próprias parisienses compraram.

Acho que isso acontece, da gente criar um perfil, depois que mora em algumas cidades. A menina da terra da garoa (São Paulo), a menina carioca da gema, a menina (insira a cidade). É inevitável. Mas não acho e não acredito em formulinhas pra se transformar em algo que você não é.

O legal é pegar sua história de vida e transformar isso na sua imagem. Eu morei no interior do Paraná por 20 anos antes de morar mais 8 no Japão, pra depois vir pra SP. E tudo que passei, vi e vivi antes de agora é que me fazem única. Pra quê eu ia querer trocar isso por uma receita de bolo de como ser nova-iorquina, londrina ou parisiense? Não iria, oras. Isso é o que faz você ser tão você, e eu tão eu.

Hoje eu sou grata por isso.

virginia

– Virginia Woolf, A Room of One’s Own

Esses dias, a incrível Marina W. postou isso:

marinaw_blowg

E eu fiquei pensando nisso. De como hoje, aos 35 anos, mulher adulta, madura, dentro de minhas faculdades mentais e incrível sarcasmo, eu daria risada na cara de muita gente que me fez ou falou coisas desagradáveis.

Do meu prévio casamento, de prévios empregos, de prévias amizades – a mulher de hoje lida com as coisas de um jeito muito diferente, mais prático. Nada como um ano após o outro, pescando luz caída com paciência (já dizia Pablo Neruda), pra trazer mais clareza nessa vida.

Então de certa forma sou grata por todas essas pessoas desagradáveis, elas também me trouxeram até aqui, hoje.