a redoma de vidro

Hoje eu até que não odeio a Lya Luft. Me interessei por ela ao ler uma de suas colunas na revista Veja – interessei-me porque odiei-a à primeira lida. Achei clichê e deveras sentimental. E como sempre pesquiso um(a) autor(a) antes de ler alguma de suas obras, descobri que a Lya Luft traduziu para o português o livro The Bell Jar ( a redoma de vidro) da minha amada Sylvia Plath.

Li a Lya por causa da Sylvia, veja só.

O David Bowie, o eterno camaleão do rock, uma vez disse que você não olha para o Warhol (Andy Warhol, artista plástico americano) e pensa “aquele cara que pintou latas de sopa”, mas sim “o que aquele cara tem de tão interessante que o fez pintar latas de sopa?”. E o mesmo sucedeu-se com a Lya – o que ela tem de tão interessante que a compeliu a traduzir Sylvia Plath?

“Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem.” – LYA LUFT, escritora.