Na livraria: o quê que ela tem que eu não tenho

  

Somos (como um todo) fascinados pela parisiense. Como ela come, se veste, cria os filhos – vide o livro queCaroline de Maigret e suas amigas escreveram, onde várias dicas de “como ser parisiense” não é pra serem levadas muito à sério.  Já esse livro é levado muito à sério, como se houvesse uma fórmula para alcançar o je ne sais quoi das francesas.

Como a imagem da mulher brasileira que é projetada fora do país não bate com a nossa realidade, imagino que o mesmo se aplique às amigas francesas. Quando esse livro da Fressange saiu, até as próprias parisienses compraram.

Acho que isso acontece, da gente criar um perfil, depois que mora em algumas cidades. A menina da terra da garoa (São Paulo), a menina carioca da gema, a menina (insira a cidade). É inevitável. Mas não acho e não acredito em formulinhas pra se transformar em algo que você não é.

O legal é pegar sua história de vida e transformar isso na sua imagem. Eu morei no interior do Paraná por 20 anos antes de morar mais 8 no Japão, pra depois vir pra SP. E tudo que passei, vi e vivi antes de agora é que me fazem única. Pra quê eu ia querer trocar isso por uma receita de bolo de como ser nova-iorquina, londrina ou parisiense? Não iria, oras. Isso é o que faz você ser tão você, e eu tão eu.

a nova rotina

Amanhã faz 4 semanas que o marido foi pra Rússia à trabalho, lembrando que 2 meses antes disso ele ficou em SJC e eu em Campinas, só nos víamos aos finais de semana.

Por  isso vamos nos encontrar na França ❤ agora em Julho, o sonho de uma vida. Estamos planejando tomar vinho branco e cerveja da Alsácia, gelato da Amorino, o triple scoop da Berthillon, queijos, pães, macaron da Ladureé, crepes de nutella, falafel… A lista é grande (mas como vamos andar muito, ok comer tudo isso!).

Mobiliar a casa me manteve ocupada até agora (comprei as cadeiras Eames DS Wood – inspiradas nas cadeiras em plástico criadas por Charles e Ray Eames de 1948), conheci o novo lugar de trabalho onde começo em Agosto, toda sexta faço um bolo diferente, sábados vou ao cinema, estou ensinando um dos gatos a andar de coleira, já achei minha padaria preferida pra comer pão na chapa e pingado, achei uma feira de rua perto de casa.

Agora só falta você, meu bem.

chega de chuva

Compramos um carrinho. E daí que a saga de 2007 vai se repetir: vou tirar minha carteira de habilitação – só que brasileira. A verdade é que eu perdi uma oportunidade super de emprego por não ter carro. Juro.

Essa semana estou com Dans Mon Île na cabeça, uma bossa nova gostosinha de cantarolar. E amanhã tem homologação da escola, vou rever dois queridos que saíram na mesma época que eu e hoje manicure – semana passada passei o Violine Interdit da Bourjois nas mãos, ficou digno por 3 dias e depois descascou que só. A cor é linda, mas achei a duração fraquinha – ia repetir, mas acho que vou passar o Valentine da Revlon, que também é lindo e dura um poco mais.

Violine Interdit, Bourjois – via Loucas Por Esmalte

Valentine, Revlon

please

Pretty please, with sugar on top?

As aulas de francês já começaram. Você tinha que ver minha felicidade sentada ali na carteira do canto. Minha professora é uma fofa e tem um nome lindo: Sevane. Aprendi a me apresentar: nome, idade, nacionalidade, onde moro. Tive a pronúncia corrigida. E a certeza de que eu nasci pra falar francês – um sonho, sonho, sonho, desses grandes que não cabem nem em si.

Cocou!

Então, qualquer um que me conheça ainda que remotamente, sabe que sou absolutamente apaixonada pela França. Música, gastronomia, moda, cinema e principalmente a Língua Francesa, a mais bela entre todas as outras. Queria ser francesa, pra me vestir bem naturalmente sem saber (e muito menos ligar pra isso), ter a Carla Bruni como primeira-dama, comer pain perdu (parecido com a nossa rabanada) e ter aprendido au claire de la lune em vez de atirei o pau no gato. E como esse é o Ano da França no Brasil, vou fazer uma série de posts homenageando esse país que estranhamente amo (estranhamente porque ainda não conheço). E pra começar, um post do ótimo Petit Journal de la Port Doreé, escrito pela Amanda, que mora há 2 anos em Paris, é jornalista, mestranda de geopolítica na Universidade Paris 8.

Top 10: expressões francesas

Por Petit Journal de la Porte Doreé

10- Shepa (pronuncia-se ‘chepá’)
Algo do tipo: eu não sei

Shepa é a forma coloquial de dizer je ne sais pas, ‘não sei’ em português. Eu sempre ficava na duvida entre falar um ou outro e acabava saindo um cepá, que não quer dizer muita coisa, só entregava de vez o meu embaraço com o francês. Essa palavra é da mesma categoria do chuí, que é o diminutivo de je suis (eu sou/estou). Esse é o tipo de expressão que te ferra quando você sai de um curso de francês, onde aprende toda a linguagem formal (para não dizer artificial) e todas as conjugações de verbos, mas que quando encara a vida de verdade se sente super frustrado por não conseguir entender uma palavra do que as pessoas falam, nem as coisas mais simples.

9- Bon courage (pronuncia-se ‘boncurraj’)
Algo do tipo: boa sorte

Ela nao gosta dessa palavra. Bon courage é uma expressão de compaixão, onde a pessoa mostra solidariedade, mas não vai te ajudar (ou porque não pode ou porque não quer mesmo). É um apoio moral. Quando fomos ao Brasil pela ultima vez, meu namorado perguntou se podia dizer ‘coragem’ à caixa do supermercado na hora de ir embora, coisa que ele faz na França. Imagina, acho que a pessoa ia se sentir ofendida e pensar, poxa, meu trabalho é tão ruim que estão tentando me consolar. Atenção, não estamos falando de boa sorte, que é bonne chance. Seu amigo tem que estudar pra uma prova? Bon courage. Ele vai fazer a prova agora? Bonne chance!

8- Franchement (pronuncia-se ‘frranchman’)
Algo do tipo: francamente, sinceramente

Quando não falava francês e ouvia as pessoas conversando na rua, sempre ouvia um tal de French-man e pensava quem era o tal francês que eles estavam falando. Isso porque lingua estrangeira para mim era sinônimo de inglês, então inconscientemente eu procurava algum significado na lingua que eu conhecia). Franchement, acho que francês é bem mais dificil de aprender que inglês.

7- Pas mal (pronuncia-se ‘pá mal’)
Algo do tipo: legal. Ao pé da letra: não é tão ruim

As vezes os franceses são pessoas contidas. Em vez de dizerem muito bom!, excelente!, magnifico!, eles dizem simplesmente, pas mal. Eu até me ofendia, me esforçava pra fazer uma coisa e no final… O bolo que você fez? Pas mal. O presente que você me deu ? Pal mal du tout! (variação super empolgada do pas mal. Poxa vida, vamos ousar um pouquinho, meu povo!

6- ça va aller (pronuncia-se ‘sa va alê’)
Algo do tipo: vai ficar tudo bem

Essa é uma expressão de consolo quando alguém esta numa situação dificil ou quando dita pela propria vitima, quer dizer que ela não esta bem no momento, mas vai ficar. Uma vez, quando eu estava tomando conta de um bebê de 1 ano e meio e da sua irmã de 6, o bebê se aproximou dramatico dizendo, dodoi, dodoi. A irmã, depois de examinar o braço dele, sentenciou: não Sacha, isso não é um dodoi, é so uma meleca! E completou irônica, ça va aller! Outra vez eu estava correndo no parque quando vi um cara se estabacar no chão. Perguntei se tava tudo bem, ele respondeu sem graça, ça va aller

5- Quoi (pronuncia-se ‘quá’)
Algo do tipo: desconhecido

A giria das girias. Ela é um daqueles vicios de linguagem, que não têm nenhuma função util na frase, esta ali apenas para enfeitar. Podemos excaixa-la praticamente no fim de qualquer frase, mas dê preferência para aquelas onde você se mostra um pouco mais revoltado ou quer mostrar seu ponto de vista. Essa palavra é completamente dispensável, quoi.

4- Coucou (pronuncia-se ‘cu-cu’)
Algo do tipo: oie!

Esse eu uso muito com as criancas. Toda vez que um boneco faz uma aparição repentina, ele tem que dizer coucou! Mas não é so para crianças não, é uma forma carinhosa se dizer oi, em qualquer idade. So não vai chegar pro chefe e dizer, coucouchefe! Não pega muito bem. Sabe aquela brincadeira que todos os adultos fazem com os bebês, de se esconder e de repende aparecer: achou! Pois é, em francês é coucou.

3- Hop-la! (pronuncia-se ‘ôplá!’)
Algo do tipo: ???

Caracteriza o fim de uma ação. Essa é dificil de explicar porque não temos uma equivalência em português. Sabe aquela ultima cereja que voce põe no bolo, ela fica super bem acompanhada de um hop-la!. Na verdade eu nem sei como se escreve, ja que é mais uma expressão oral mesmo. Na minha aula de mestrado, o professor estava dando maus exemplos de apresentações orais (ok, eu sou o melhor deles). Ele disse que tinha um aluno que a cada vez que virava a pagina das anotações, dizia ‘hop-la!’, acompanhando o movimento. Eu não consegui parar de rir, imaginando a cena.

2- Voila (pronuncia-se ‘voalá’)
Algo do tipo: aqui está, ou pronto

Voila é uma variação mais formal do hop-la!. Os franceses dizem o tempo todo. Também serve como um tipo de ‘viu, eu te avisei!’,voila, voce derrubou o copo. Se alguém come muito, você pode dizer (ou de preferência apenas pensar) voilaalguém que gosta de comer. Quando você termina de assinar um documento, pode dizer, voila!

1 – Oh-la-la (pronuncia-se uh-la-lá)
Algo do tipo: caraca! (para os cariocas, é claro)

O grande classico francês. Eu achava que era mito, assim como quase tudo que a gente diz da Franca, mas não é não! O uh-la-la esta presente no vocabulario diario dos franceses, principalmente nos jogos de futebol. Nesse caso, como a empolgação é grande, o locutor pode ficar repetindo os ‘las’ varias vezes, proporcionalmente ao tamanho da jogada. Eu que odeio futebol, assisto so pra ouvir o cara falando uh-la-la-la-la-la-la-la…. Ao contrario do que a gente pensa, essa expressão não é usada tanto para elogios, mas para preocupações. Tipo, oh-la-la, vai chover a semana toda, putain! (Essa ultima palavra fico devendo para um top 10 palavrões, 😉