São José dos Campos, 25 de agosto de 2014.

Uma das primeiras coisas que te ensinam depois que você aprende a escrever é escrever o cabeçalho, como no título. Mas a cidade não era essa e a virada do milênio parecia coisa futurística. Eu particularmente sempre gostei de rotina, já escrevi isso uma vez aqui, me ajuda a controlar a ansiedade alta, e fazer o cabeçalho no começo de toda aula me dava um senso de lugar, ocupar um lugar para interagir com ele.

Acordei e fui preparar aula: vamos falar de arte hoje, está no syllabus, uma aula interessantíssima de 3 páginas cheias, que devem ser cobertas em apenas 1h30m. Isso não é aula, é vômito de informação. É uma luta não só minha mas de todo educador, ter mais espaço pra explorar o assunto – ocupar o lugar para interagir com ele.

Eu sempre tive um problema com autoridades, veja. Pais/professores/governo, a lista é imensa. Nasci para subverter a ordem. A verdade é que não tenho tido muito êxito. Mas ao menos em minhas aulas eu tento exercer um pouco de controle e decidi me atrasar no cronograma para dar mais oportunidade aos alunos. Oportunidade de quê? De reflexão, discussão, de ocupar o lugar para interagir com ele.

esquenta

As aulas de CFC acabaram, voltei ao trabalho e essa semana será corrida mas produtiva, vou à uma conferência de ELT (English Language Teaching) em São Paulo (3 dias) – para quem é da área, imaginem como estou animada! Hoje é feriado no estado de São Paulo (Revolução Constitucionalista de 1932), por isso vamos almoçar na casa de uma tia do Gi em Valinhos, uma cidade aqui do lado.

Cresci com um pé de espada-de-são jorge na entrada da casa, para proteger, dizia minha mãe. Numa visita recente ao CEASA de Campinas, vi espadas-de-são jorge dispostas em vasos para colocar dentro de casa. Me fez lembrar da minha casa – samambaias também me fazem lembrar de casa, especialmente do meu pai – um exemplar dedo verde.

please

Pretty please, with sugar on top?

As aulas de francês já começaram. Você tinha que ver minha felicidade sentada ali na carteira do canto. Minha professora é uma fofa e tem um nome lindo: Sevane. Aprendi a me apresentar: nome, idade, nacionalidade, onde moro. Tive a pronúncia corrigida. E a certeza de que eu nasci pra falar francês – um sonho, sonho, sonho, desses grandes que não cabem nem em si.

Back to class

Vou voltar a dar aulas de inglês. Estou com os ânimos renovados, queria que a amiga-pedagoga estivesse aqui pra gente conversar sobre AULAS – o assunto que mais me interessa no momento. Estou com tantas idéias, tipo criar um Coral Pop  (igual ao que a minha querida Cultura Inglesa tem) – inspiradíssima no PS22 – esse coral fofíssimo de crianças. Olha eles cantando Björk – morri (de olho no menino de azul aos 0:40 – aiai *suspiro*).

CPE

pearl

Hoje fiz a prova do CPE. As provas começaram às 8:00hs e achei que ia sair do centro de provas (que é a Cultura Inglesa, onde fiz o prep – que aliás, é a melhor escola de inglês – vindo dessa que vos fala que já lecionou em tantas outras com metodologias diferentes) às 15hs, mas a prova acabou lá pelas 16hs. Estava mentalmente exausta.

A prova escrita foi excruciante – 2hs. Um artigo foi sobre o livro Girl With a Pearl Earring (Moça com Brinco de Pérola) da Tracy Chevalier (o filme é bonito, tipo a Charlote* no século XVII), o tema: um artigo sobre a atmosfera de medo e sigilo sob a qual a personagem Griet vivia na casa dos Vermeer e sua relação com alguns personagens. É um livro que eu demorei pra descobrir, que bom que fui obrigada a ler. É uma daquelas coisas, como não notei esse livro antes?

O outro foi um artigo sobre como a roupa influencia as relações pessoais. Esse eu juro, só faltei levantar no meio da sala e fazer uma dancinha, porque é bem sobre o que eu gosto de escrever. Comecei falando sobre a história da indumentária e como esta está intrinsecamente relacionada com a história da humanidade, uma invenção humana que assim como o Tempo, rege as relaçõe sociais e além disso incentiva aliberdade de expressão. Falei tanta mas tanta coisa, que tive que contar pra ver se não tinha passado de 350 palavras. E passei, daí voltei e deixei em 350 redondo.

O resultado sai só daqui uns meses, agora tenho que planejar estudar outras coisas pra tirar um BEC (Business English Certificate). A vida de uma pessoa que quer se aprofundar na Língua Inglesa nunca acaba, meu caro.

*pra mim a Scarlett vai ser sempre a Charlotte.

aulas

Do avançado, hoje de manhã. A aula começa às 10:15hs e às 10:00hs eu já estava na cozinha americana da escola fazendo aquela receita de panqueca americana. Os alunos foram chegando antes da aula e encostando no balcão enquanto falávamos do próximo passo que eles poderiam dar depois desse último livro do avançado. E as panquecas se empilhavam no prato, douradas e gordinhas, esperando pelo maple syrup e o pedacinho de manteiga.

10:15hs e eu ainda fazia as panquecas. A aula começou ali mesmo no balcão. Aula passada estávamos falando sobre comida e quais adjetivos que podemos dar à comidas e qual a ordem desses adjetivos em uma frase. O que geralmente deixa os alunos com cara de ué. Eu não acho particularmente importante, esse assunto. Quantas vezes você lê (porque é só em escrita mesmo) algo como the beautiful young blonde American girl was eating a mouthwatering sweet ripe red apple? Mas essa turma é das boas. Adoro.

E daí que prosseguimos a falar de American culture: brunch. Que na verdade pancakes with maple syrup está mais pra típico café da manhã, servido com scrambled eggs and strips of bacon. E eles continuaram: exquisite soft pancakes with yellow golden maple syrup, tasty buttery scrambled eggs with crunchy strips of bacon. Que é o tipo de linguagem que a gente encontra em restaurant reviews.

Acabamos a aula com os alunos escrevendo restaurant reviews de seus restaurantes/bares preferidos com linguagem apropriada. All in all, foi uma aula ótima. Contextualizada, sabe. Queria que todas minhas turmas fossem assim. De dar vontade de sair de casa pra dar aula.

Antes dessa aula das 10:15hs eu tive uma turma que está no Upper-Intermediate. E estamos discutindo tecnologia da comunicação, nesse capítulo. E aula passada vimos linguagem de debate e de tarefa eles tiveram que: se posicionar contra e à favor do IM (Instant Messenger) – é claro que ninguém queria falar contra, mas daí vai explicar que é só com o propósito de aprender a argumentar (eu mesma odiava refutar coisas que eu acreditava em aula de redação) – mas eles prepararam o debate em casa, inclusive fazendo prediction do que o outro grupo poderia falar.

E na aula passada, quando fizemos um ensaio do debate antes de ver “linguagem de debate”, esses alunos só usavam BUT pra contradict one another. Eu contei. Eles disseram BUT 23x em 5 minutps! E hoje, no debate, a turma toda usou BUT só umas 5x em 10 minutos. Orgulho grande desses meus alunos. Daí fizemos um vídeo e fomos assistir o debate na televisão. Eles puderam ter uma dimensão da claridade com a qual é preciso falar pra ser entendido. Acho que ainda dá pra polir mais o inglês deles antes de irem para o avançado. Mas acho que essa turma vai ser entregue redondinha para o próximo nível.

Depois eu e o Gio fomos almoçar num restaurante mineirinho. Uia, adoro.

aula de inglês 1 – stress

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Como estudantes da Língua Inglesa de nível básico, raramente nos preocupamos com a entonação das palavras e frases. Mas à medida que passamos a cada vez mais nos aprofundar na Língua Inglesa (Upper-Intermediate até Advanced), é crucial praticarmos a entonação e como isso se reflete na interpretação das frases.

Eis um exemplo: “I’m not going”.  Qual seria a entonação apropriada pra esta frase? Well, depende do que você está tentando transmitir. Vamos ver isso a fundo:
“I’m not going”
A ênfase fica no pronome pessoal; talvez eu (I) não esteja indo mas outra pessoa (you, she, he) vá

“I’m not going”
Eu me recuso à ir. A ênfase está na recusa de se fazer uma ação.

“I’m not going
Eu não estou indo (estou voltando!)

Vamos ver então diferentes interpretações para cada frase  de acordo com a entonação:

Sentence: I saw a big black bird.

1. I saw a big black bird = EU vi um pássaro preto grande. Não ele ou ela, EU vi.  A ênfase está no pronome pessoal.

2. I saw a big black bird = Eu VI um pássaro preto grande. Não li a respeito ou alguém me contou, eu VI. A ênfase está no verbo, na ação.

3. I saw a big black bird = Eu vi um pássaro preto GRANDE. Não era um pássaro preto pequeno, era GRANDE, a ênfase está no tamanho.

4. I saw a big black bird = Eu vi um pássaro PRETO grande. Não era um pássaro grande azul ou vermelho, era preto. A ênfase está na cor.

5. I saw a big black bird = Eu vi um PÁSSARO preto grande.

Quanto mais vocêpratica a entonação através de conversas e exercícios de listening, mais ela se torna natural.

CAE

Tenho prova de Speaking hoje. E Writing, Reading e Listening no dia 10/12. O resultado da certificação sai 6 semanas depois do final das provas. Meu medo na hora de Speaking é que eu falo muito rápido. Não pode, tem que pace the words. E se eu fico muito nervosa eu dou umas gaguejadas. Mas meu professor falou, fique falando até o interlocutor dizer thank you. E pra fazer uma das provas (acho que é Writing) vou ter que escrever sobre 2 livros, um deles é The Pelican Brief. Já baixei o filme, claro. Tenho que checar, só. Se há muitas discrepâncias. Se alguém já LEU The Pelican Brief e quiser me dar um heads up, manda.

aulas de inglês

Ela , que é socióloga e dá um curso de pós-graduação, resumiu todo o meu descontentamento com ALUNOS:

Eu descobri porque os alunos de graduação são tão estúpidos. Cheguei a mencionar? Eu descobri na aula de inglês. Era pra gente descrever as atividades diárias. E perguntar sobre as atividades diárias dos amiguinhos. Usando When, What time, How often e Who. Ok. Por escrito. E depois a gente lia o que escreveu. TODOS. Absolutamente TODOS os alunos perguntaram What time is it?. Menos eu. Que perguntei pro loirinho What time do you go to bed?. A professora fez uma cara meio assim. Mas considerou a pergunta What time is it?. Não mandou ninguém refazer nem nada. Embora ela tenha balbuciado algo sobre daily activities etc. E eu acho que é esse o problema, sabe? Porque o problema dos meus alunos não é mais de conteúdo. É estrutural. No meu tempo, a professora devolvia e falava meio brava daily activities!. E eu me virava pra perceber isso. Tipo é muito sofisticado prum aluno isso, hoje em dia. Ele nunca vai entender que tá errado. Sério. Ele NÃO ENTENDE porque tá errado. Porque não há esse tipo de correção. Por conta de construtivismo mesmo. Se ele conhece um uso de what time, temos que incentivar. Eu também não corrijo mais meus alunos, não consigo. Por isso que eu fiquei ohhhh na aula de inglês. É o ovo da serpente, né? Me senti vendo tudo. A arqueologia da burrice ali, na minha frente. Talvez quem nunca tenha dado aula vai achar exagero. Mas todos os alunos brasileiros perguntam que horas são? para atividades diárias. É angustiante. Numa prova longa, dá vontade de chorar. A gente não dá conta nem de corrigir. Não sabe por onde começar.

Good news? Tirei 92,0 na prova de inglês, que valia 100.

E eu como professora de inglês como língua estrangeira exijo muito dos meus alunos. E a escola para a qual eu trabalhava não era uma escola, era um negócio. os alunos não eram tratados como ALUNOS, e sim como CLIENTES. E então que metade das minhas salas de nível avançado tinha um inglês de dar dó. Por conta do aluno ser cliente e ninguém nunca até aquele ponto ter dito à ele, que, olha, infelizmente, você foi produto de professores ruins e administração condescendente.

E então que eu pedi demissão.

Mas há boas notícias. A escola que eu quero dar aula, bem, eu faço umas aulas pra uma certificação lá. E o meu professor british accent me perguntou no final da aula semana passada. Se eu não estaria interessada em dar aulas lá. Morri, né. É tudo o que eu quero, dar aula naquela escola. E ele achou que eu tenho o profile pra trabalhar lá e tal. Vou levar o cv semana que vem. Good things como for those who wait (mas tem que correr atrás também!).