2012

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O ano que eu parei de trabalhar e fiquei em casa 6 meses com os gatos.

O ano que eu voltei a trabalhar no lugar que eu quis tanto sair em 2011.

O ano que eu tirei minha habilitação brasileira.

O ano que eu fali. Mesmo.

O ano que passei 2 meses de cama por causa da lombar.

O ano que nos mudamos para o nosso apartamento e trocamos a moto por um carro.

2012. O ano que meu cabelo finalmente cresceu de novo.

O ano que recebi minha mãe e irmã juntas em Campinas.

O ano que aprendi a fazer mala (budista, não de viajar) e strogonoff vegetariano (tenho que postar minha versão dia desses).

O ano que fiz 33.

Agora, acabou. 2013, te espero.

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acabou

Dias atrás no templo budista em Cabreúva, depois de eu ter lamentado que um enorme tempo havia sido dispensado em uma tarefa que pareceu ter produzido pouco resultado, a monja Kelsang Jamgyal me disse: “Giselle, a gente não pode ser tão perfeccionista assim, senão a gente é infeliz”. Eu fiquei com vontade de sentar e chorar.

Porque isso foi apenas a culminação do que as pessoas ao meu redor vem me dizendo há anos. As pessoas que já trabalharam comigo, meus familiares – minha psicóloga. Tudo sempre tem que ser feito nos mínimos detalhes – e revisado à exaustão. Meus tutores no trabalho me diziam,  deixe espaço para a improvisação. Mas fazer isso era ceder o controle – e pessoas perfeccionistas são tão ansiosas, que ceder sequer um pouco do controle parece uma tarefa hercúlea.

Por isso 2011 acaba assim. Eu me despeço dessa força destrutiva em minha vida e de tudo que ela vem me causando ao longo dos anos. Que 2012 e os anos que se sigam sejam perfeitamento imperfeitos, que haja espaço para ceder, respirar e deixar acontecer.

2009

Eu fecho 2009 com saudade. Das pessoas que conheci – algumas vou carregar comigo debaixo do braço, desbravando o ano novo. Outras devem mesmo cair na lava e virar cinza, com sorte viram fênix – há sempre alguma esperança.

Saudade das ruas de New York City.

Troquei de emprego tantas vezes que não dá pra contar. E agora no final do ano os planetas estão se alinhando, os pandas estão acasalando e parece que por enquanto achei um lugar legal pra trabalhar. Cortei franja, repiquei cabelo, cortei ele reto, a franja cresceu. Fui loira e estou morena. Aprendi a correr e fiz Body Combat com fervor. Engordei, emagreci, engordei. A saga.

Ouvi Metric, o último do Placebo, o último do REM, o último da Regina Spektor – o último do Ben Kweller ainda não. Fui ver de pertinho a Chan Marshall tocar, viajei, me aproximei mais da minha irmã, tirei meu CPE, comprei um MacBook, voltei a gostar de tocar guitarra e desencanei de vez de Stephen King (tô vendendo a coleção inteira, alguém quer?).

Tudo isso não teria sido nada sem você, Gi. Obrigada, pelas infinitas risadas, seus abraços nas minhas crises de choro, por recomeçar do zero (financeiramente), por ficar na cozinha em pé enquanto eu faço a janta e destilo sobre o meu dia chato. Você é pra sempre todo o espaço que cabe em meu abraço. Amo você!

2009 foi um ano que me surrou. Mas o resto, é resto. Desempoeiro o coração e sigo.

2010 não vai ter promessa, nem lista, só um emaranhado de planos. Muitos.  Quero descansar, cuidar de mim, estudar, trabalhar e aprender muito. Quero rever tanta gente, sair pra tomar café, ir na livraria, ver um show, ouvir Chico, comer no japonês e tomar sakerita, ler Lygia, blogar mais, viajar com o Gi e cuidar das gatinhas.

Feliz 2010.

2008

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Esse foi o ano em que eu me redescobri. Questionei meu antigo relacionamento de quase 9 anos e o rumo que a minha vida levava e como eu realmente queria passar o restante dela. Decidi recomeçar e amadureci (e obrigada, Drica. Pelos  ombros que seus 1,56m me ofereceram, minha pequena-gigante amiga). Voltei a morar no Brasil depois de 8 anos, redescobri minha atual profissão e só reenforcei minha paixão por ela. Nenhuma escolha sai impune e decidi ficar no Brasil sem saber o que seria da minha vida financeira que parecia incerta e da emocional, porque eu me sentia tão vazia.

Mas quando você decide mudar, a vida te ampara. Simples assim.

Voltei a dar aulas de inglês, não sem antes tentar ser vendedora em uma loja de roupas (desastroso, porque sempre achei que levava jeito pra personal shopper) e conheci uma pessoa que é completa, carinhosa, dedicada, engraçada. Que massageia meus pés à noite, faz o café da manhã todos os dias com um sorriso no rosto, faz mojito nas noites de calor e chá nas de frio.  Você realmente me faz companhia. E nossos dias são testemunha de toda uma vida que está por vir e espera ser construída. Amo você.

Esse ano tingi, repiquei, cortei e fiz luzes no cabelo; até megahair na franja coloquei – esse ano meu cabelo viu de tudo e pede um pouco de paz em 2009. Comecei o ano voltando a fumar e acabo ele me despedindo do vício – coloquei na cabeça que o ano que vem, o ano em que faço 30, é o ano que vou cuidar de mim – vou tomar chá verde todos os dias, ir à academia, cuidar das mãos, pés e cabelos, tomar sol e esperar que os anos sejam gentis depois dos 30.

Álbum do ano: Jukebox, da Cat PowerREM ficou em segundo lugar com o Accelerate. E CSS com Donkey logo atrás.

Banda que eu não conhecia e me apaixonei: Interpol. Eu comprei o cd um dia depois de ter conhecido o Gio. E Our Love to Admire virou nossa trilha sonora. Bem que eu tentei achar um show do Interpol em NYC pr gente ver, mas não achei nenhuma tour date nem nada.

Filme do Ano: 2 dias em paris* – genial.  Em segundo lugar ficou My Blueberry Nights do Wong Kar Wai.

Blog: fez dois anos mês passado.

Que 2009 seja mais um ano de mudanças, dessas boas.

*e eu acho mesmo que o motivo pelo qual a Marion tinha dificuldades em seus relacionamentos era porque ela tinha buraquinhos na retina e nunca de fato chegou a ver os olhos do Jack.
**a foto é a Coco Rocha, na Vogue Nippon de Agosto desse ano. Ela e seus balões. Minha modelo preferida pelo segundo ano consecutivo.

2007

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Esse ano aconteceu umas coisas ótimas. Como minha carteira de habilitação japonesa. E eu nem sabia dirigir. Agora não vejo minha vida sem carro. E ter comprado o meu carro. Porque aquele que eu usava junto com o Ale não era bem meu. Tá, eu ajudei a pagar, mas nunca senti que era meu. E o meu carro é fofo. E eu blá pro aquecimento global nesse momento. Porque já encarei neve, chuva, sol ardido e tufão de bicicleta e mereço meu carro e tudo mais. Agora fico querendo enfeitar o carro como as japonesas fazem. Com almofadas e odorizadores em vidros que parecem de perfume, usar uma pashmina gigante pra cobrir as pernas no frio e ter um daqueles copos térmicos da Thermos de aço inoxidável, que eu já tinha visto naquele filme com a Bridget Moynahan e pensei: ah, quando eu tiver meu carro eu quero um desse pra tomar café no semáforo parado.

E não troquei de emprego esse ano, coisa que sempre faço. Não que eu GOSTE do meu emprego de peão de fábrica de auto-peças, veja. Mas porque aqui no Japão estabilidade no emprego é estabilidade financeira e eu preciso disso pra poder seguir minha vida fora daqui e fazer aquela faculdade. No Japão inteiro as mulheres ganham 30% a menos do que os homens, não interessa se é o mesmo trabalho. É quase como estar na Idade Média, tô te falando. Mas nessa fábrica o salário é igual pra todo mundo. Mas nem fico “Nossa, que ótimo” com isso. Porque isso é como deveria ser, não é pra achar especial.

Esse ano eu consegui emagrecer 7kg. Mais uns 7kg o ano que vem e me dou por satisfeita. Ainda não consegui superar minha compulsão por doces, mas peguei gosto por exercícios aeróbicos. Ainda falta beber mais água, mas já como salada no almoço e na janta, um pratão de salada colorida – coisa que eu fazia só quando dava vontade.

Surtadas sérias: nenhuma. Surtadas leves: umas 10. Nível de stress diário: 3. Ao contrário de 2006, nem dei de louca esse ano. É aquela pose de yoga fazendo efeito?

Não aprendi a falar francês nem espanhol. Nem aqueles livros didáticos de francês e espanhol eu comprei. Mas todo filme francês que passa naquele canal de cinema estrangeiro/independente eu assisto, mesmo com a legenda em japonês. Porque eu acredito na familiarização da língua, acho importante pro ouvido. Isso vindo de uma pessoa que aprendeu inglês sozinha. E eu já devo ter falado como me chateia. Isso de saber falar muito mais coisas em japonês do que em francês, só por morar aqui.

Livros nem acho que li muitos. Esse ano os livros da Anne Rice ocuparam bastante a minha imaginação. Ano que vem vou voltar para os clássicos que nunca li em inglês: Dickens, Mark Twain, James Joyce. Ouvi muito Cat Power esse ano. Praticamente nem saiu do play, ela. Cozinhei só coisas doces esse ano (pra mim a única coisa que realmente vale a pena perder tempo cozinhando) e agora estou lendo o primeiro livro do Richard Olney, o The French Menu Cookbook – que caso você não saiba, foi o livro responsável por Chefs em todos os lugares a começarem a cozinhar usando os produtos disponíveis em cada uma das estações para compor seus pratos, inclusive a influente Alice Waters; que faz questão não só de usar produtos frescos da estação como também produtos que são locais (e nós começamos a fazer compras em uma cooperativa, onde os produtos são frescos e baratos e ainda apoiamos os agricultores locais). O que hoje é meio óbvio, tipo agora morango é a fruta da estação aqui então morango é introduzido em muitos pratos e sobremesas em vez de, pêssego, por exemplo, que aqui a época é em agosto; esse conceito em 1970, quando o livro foi lançado, foi realmente algo. E demorei pra descobrir o mundo da literatura gastronômica mas agora não olho pra trás.

Boas festas, não dirijam se beber e comam bastante panetone. A gente se vê o ano que vem.

Pausa pro choque. Meu 2007 acabou de ficar pior. A Mary W. acabou o blog. Ela que é mãe do feminismo e avó do Frankestein. Fiquei 1 semana sem entrar na internet por conta do trabalho e da vida e o A Feminista acabou de vez. Por causa da polêmica dos posts copiados e tal, acho. Júlia, eu queria te dizer que o seu blog foi uma das melhores coisas na minha vida esse ano, como eu acho que você enriquece o que o povo chama de blogosfera – e pra quem eu vou perguntar se blogosfera, afinal, é lugar ou não-lugar? Eu queria saber o que você achou da morte da Benazir Bhutto. Porque o Ale me deu um daqueles speeches de como eu não sabia quem ela era e tal. Porque eu deveria me interessar mais, porque sou feminista e a inclusão de uma mulher na política de um país muçulmano deveria me interessar. Mas eu nem sabia. Tipo, nem sinto a repercussão. Igual quando eu disse à ele, o ano passado, que eu nunca tinha visto Thelma&Louise. Ele que acha que eu sou uma feminista meio relapsa e tal. Mas enfim, nem sei se você vai ler isso. Mas se você voltar a escrever em outra URL super me avisa, hein?
* a foto acima é de uma modelo que eu acompanhei com interesse esse ano, a Coco Rocha; no editorial Paris Je T’aime fotografado pelo Steven Meisel para a Vogue de setembro de 2007.