algumas coisas

A gente tem que falar antes que se engasgue. Não vou voltar mais para o Japão. E estou me separando.

Pronto. Agora posso começar a falar de meus planos. Voltei a trabalhar e vou prestar vestibular para Moda. Estou procurando um apartamento pequeno para me mudar. E estou bem. De verdade.

E achei uma fita cassete do MANO NEGRA que ele me deu quando a gente se conheceu. E eu chorei. E acho que tenho mesmo que chorar se der vontade. E eu ouvi Salga la Luna umas dez vezes antes de dormir.

a verdade é que

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Não era para ser um hiato no blog. Mas como ainda estou sem internet e realmente detesto essas lan houses, não dá para atualizar muito. Cortei o cabelo. E fiz uma franja igualzinha à essa da Liz Taylor em Cleópatra, que assisti um trecho ontem com a minha mãe. Poderosa. E fico andando com um pente na mão, porque essa franja arredondada dá trabalho. Perdi meu celular em um showzinho de punk rock final de semana passado. Abstraí. A noite foi ótima, até encontrei meu amigo Hans.

Final de semana retrasado fomos ver Almas Maculadas (The Tarnished Angels) do Douglas Sirk, no cinema, olha só. E o coordenador do projeto falou umas coisas sobre o melodrama que fiquei uau. Como o uso da opacicidade, do uso de espelhos e vidraças – porque distorcem. E eu achava que esses recursos eram usados só pra dar textura aos filmes p&b. E é claro que eu lembrei da minha querida Sylvia Plath,que é meio que a minha voz da consciência; naquela poesia em que ela chama o espelho, as velas e a lua de mentirosas, porque nos distorcem. E o jogo de câmera que o Sirk faz é sublime, como naquela cena em que a personagem da Dorothy Malone meio que se joga no sofá e a câmera acompanha o movimento curvilíneo do corpo dela. E de lá fomos jogar sinuca.

Esse final de semana vai rolar um filme do Fassbinder, aquele cineasta alemão,  pra fazer uma colagem com o trabalho do D. Sirk. Quero muito ir. E depois tem show do Matanza. Te vejo lá?

electro house e água-de-coco

  • Sábado passado, a amiga pedagoga e eu fomos à uma balada electro house, com os djs David Amo & Julio Navas, nesse bar. Saímos de lá 6 da manhã, com muitas risadas, conversas e dancinhas estranhas alheias debaixo dos braços.
  • A gata branquinha de casa se enroscou no pé-de-manjericão e voltou toda temperada. Mordi.
  • Esse ano o coqueiro da casa da minha mãe não deu coco. Eu disse que era porque eles esqueceram de jogar sal na terra. Uma vez me disseram que coqueiro precisa de sal, porque cresce perto do mar e usa o sal do mar e tal. Acreditei e sempre que fiz tinha água-de-coco fresquinha pra beber todos os dias.
  • Pintei o cabelo de uma cor café. Ficou bom.
  • Já está virando tradição: todo começo de ano eu vejo um filme muito ruim no cinema. Ano passado foi Spiderman III. Esse ano foi Cloverfield. E daí que foi o J.J. Abrahams que produziu? Hello, Lost é tão 2005. Sem falar que eles acham que a gente nunca viu. The Blair Witch Project.
  • A Sarah Polley não levou o Oscar de melhor roteiro adaptado e nem a Julie Christie de melhor atriz. Mas eu torci.
  • Ainda estou sem internet.

sobre a gastronomia que eu chamo de Brasil

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Porque quando se está longe você começa a construir toda uma idéia do que se chama Brasil, ou o que o faz característico. Pastel na feira pra mim é a quintessência da brasilidade. Aquelas barraquinhas coloridas de legumes, o tiozinho cego tocando violão e o moleque do lado vendendo algodão doce espetado em um cano, as velhinhas com carrinho de feira, os cachorros andando no meio do povo e a barraca do pastel, sempre muito cheia, aquele cheiro de óleo e massa frita, misturado com cheiro de café e sodinha, o povo se espremendo no balcão pra pegar a vinagrete e o molho caseiro de pimenta. Eu não poderia me sentir mais em casa se tentasse.

E eu voltei a fumar aquele meu cigarro com cheiro de chocolate. Me sento na varanda com os cachorros depois do almoço e fico vendo o movimento da rua e esticar a rede depois. A verdade é que aqui eu me contento com essas coisas do cotidiano. De achar demais mesmo. Também fui naquele bar de metaleiro com a amiga pedagoga tomar cerveja. Só vendia um tipo de cerveja e nem podia fumar lá dentro. Mas é bom ver que as pessoas mudam mas não deixam de ser quem são. E meu amigo designer e surfista veio me visitar dessa vez.

E eu ouvindo muito Interpol, dica do Pedro. Eles me lembram o Echo & The Bunnymen, que é uma das bandas que eu mais gosto. E eles, o Interpol, são uma banda bonita sem ser afetada. Eu gosto de banda bonita. E nem perguntem de banda brasileira, dessas que devem tocar na MTV. Não sei.

E essa semana eu comecei a comer direito. Porque a vida não é bolinho preto com granulado, como diz a Tata.

*a foto é da Annie Leibovitz para a Vanity Fair de abril de 2001. Ela faz um Olimpo feminino: Nicole Kidman, Catherine Deneuve, Meryl Streep, Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett, Kate Winslet, Vanessa Redgrave, Chloë Sevigny, Sophia Loren e Penélope Cruz.

dia 22 (antes tarde do que nunca)

  • Foi lançado oficialmente, O álbum. Muita gente já ouviu, confetes e tudo o mais. Vou comprar, claro. Mas sabe que esses dias, voltei  a ouvir PJ Harvey pesado. E vamos combinar que eu só comecei a gostar de Cat Power (1998 ou 1999? Porque o Henrique tinha uma banda, tá, ele tinha várias, mas ele tinha uma que se chamava Chelsea Girl – por causa daquela música do Ride, claro – e eles sempre tocavam Nude as the News e eu nem sabia de quem era, me apaixonei, óbvio) porque eu achava a voz dela meio no estilo da Polly Jean.
  • Fez exatamente 5 anos que não vejo meus pais, minhas cachorrinhas e o verão boa-brisa do Brasil;

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  • Saiu a lista de nomeados do Oscar 2008 e ela está lá, concorrendo ao Oscar de melhor roteiro adaptado, por Away From Her, que também é de sua direção. E a Julie Christie, está concorrendo ao Oscar de melhor atriz, pelo mesmo filme. Sarah Polley no Oscar, não vai dar outra, por mim. O filme eu não vi ainda, mas o que seria da minha vida sem mim ela?

chá, um gosto amargo na boca e tasseografia

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Enrolada em uma manta, senta-se na sala com a tv ligada. E como uma cigana, procura nas folhas de mate no fundo da xícara por algum significado. Ele* era tão jovem, pensa, minha idade. E bonito. E de um talento assustador. Ela viu a notícia aqui e não registrou. Daí a tv e o chá que esfriou nas mãos. Mas não há tempo para ponderar. Há as areias, sempre. As do tempo. Que embora fugidias, sempre a ancora no presente. E assim ela vê toda a procissão do cotidiano que ainda assim se arrasta: um beijo emoldurado em prata, um riso impresso em papel fosco, um abraço que cintila na água da pia, enquanto você lava a xícara, enquanto você se ocupa com os dias.

*Goodnight, Heath.

it’s cold and I hate thinking so much*

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Eu amo a foto dessa menina com esse chapéu russo**. Ela me lembra a Clementine de botas Ugg. E hoje tava tão frio de manhã que amarrei meu moletom na cabeça pra ir até o carro, segurando umas dez coisas nas mãos. A vizinha que me viu na porta de casa fazendo malabarismo com ditas dez coisas nas mãos e tentando trancar a porta, só faltou falar que não, não tem pão seco não. Ai, essa minha vida de glamour me mata. Preciso de um chapéu desses***.

*fiquei com essa música da Kaia na cabeça o dia todo.
** a foto é do Facehunter.
***Ela deve saber o nome, já que ela morou tanto tempo lá. Depois você me ensina o nome, Lu?

galeria

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Isso foi em 2003. Compramos cigarros pra mim e cigarrilhas pra ELE. O dia que fomos praticamente arrastados por um americano pra sua loja de roupas hip-hop que fica nessa galeira aí em cima, tocava o 25 pence* bem alto nas caixas e ele ficava dançando à minha volta. E um desses reliogiosos que largam tudo na vida pra pregarem, nos parou na rua pra vender uns cartões que ele mesmo faz. Um canadense, viva o maple. O cara é designer gráfico. Daí a gente aprende, né. Quando algum estranho perguntar se a gente fala inglês, sempre respondo em japonês. Que não, sorry.

Nessa época ir até a estação central daqui era affair pro dia inteiro, porque a gente morava em outra cidade aqui por perto. Pegávamos bicicleta e trem e passávamos a tarde no centro. Cansava muito, mas eu gostava. Hoje em dia a gente pega o carro e em 20 minutos já estamos lá. É claro que não dá mais pra se imaginar sem carro, mas a gente concorda que havia todo um ritual em pegar a bicicleta e o trem e ver as coisas acontecendo em um tempo menos solúvel, menos passível de deterioração.  

*hahaha. how british of me.