Os Pássaros

Sexta-feira. Dia sossegado. Porque não tenho turmas. E daí que o Marcus, o outro in-house Teacher, fez um mega-suco de manga, goiaba e mamão no juicer que ele trouxe de casa. E ficamos bebericando suco mega-bom, corrigindo tarefa e rindo das pérolas. Porque oi aluno, se você escrever que I was boring in 1985 (quando você e eu sabemos que você queria ter dito que você nasceu naquele ano) – você faz meu dia.

Saí mais cedo. Porque eu dou umas aulas executivas numa empresa, e essa semana tive uma hora a mais pra compensar na sexta. Daí saí mais cedo e o Gio me levou no Samurai, um restaurante japonês alí perto do Bosque dos Jequitibás. Sentamos no deck e nos deliciamos na comida japonesa de prima. É que amanhã trabalho, senão ia querer um saquê c/ pedaços de abacaxi.

Depois passamos na locadora e pegamos Os Pássaros*, do Hitchcock. Faz tempo que eu não vejo esse. E amanhã de manhã tenho aula, das 8:00 às 12:00. Hmmm.

Mas a vida está tão boa. Não achei que eu fosse me acostumar em Campinas tão fácil. A verdade é que já adotei Campinas como minha segunda casa.  Algumas partes da cidade se parecem tanto com Maringá que dá medo. Adoro.

*esse ano a Mattel lança a Barbie The Birds. Quero.
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feliz aniversário, giovanni!

gio-aniversario

Desejo à você, meu amor

Comer pêra do pé
Cheiro de jardim depois que chove
Namoro no portão
Domingo de sol
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Woody Allen
Chope com os amigos
Livro do Rubem Fonseca
Viver sem inimigos
Ver seriadinho na TV comendo pipoca
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Chico com letra de Chico
Peixe espalmado no almoço de domingo
Ouvir sempre uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver o Rammstein tocar ao vivo
Noite de lua cheia na varanda de casa
Rever uma velha amizade
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Levar a vida sorrindo
Ouvir canto de passarinho
Sarar de dor-de-cabeça
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Ir pra França no carnaval
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
E meu beijo apaixonado
Ter sempre um ombro amigo num raio de 100km
Uma tarde amena balançando na rede
Correr comigo no parque

Só pra depois morrer de sede
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Ouvir a chuva no telhado
Vinho tinto e um abraço apertado
Bolero de Ravel…
E muito carinho meu.

*baseado naquele poema atribuído ao Drummond.

eternal sunshine

Porque agora eu estou morando em Campinas e estar com você é como ter voltado pra casa depois de uma longa jornada. E o que eu desejo pra gente é que apesar da unidade você continue sendo você e eu continue sendo eu. Individuais e ainda juntos.

Que a gente tenha tempo pra pedalar pelas ruas e tomar café da manhã: pão na chapa e café quentinho. Que a gente divida o jornal e os lençóis. Que a gente ganhe o mundo de mochilas só pra voltar pra casa depois. Juntos.

férias

Estou de férias na casa dele e hoje ele teve que ir trabalhar. E eu fico pela casa procurando fragmentos seus pela casa, ouvindo The Decemberists e comendo pêssego. Ele tem um vizinho de frente, um Sr. grisalho meio careca, que fica na sacada fumando e fazendo palavra cruzada, é sério, ele é meu amigo e nem sabe. Vou pra lá, na sacada, fumar e fazer sinais de fumaça pras palavras que ele não conseguir fazer.

*a foto é do Gio, da sacada qual sempre ficamos pra fumar e ver tal pôr-do-sol.
** e eu decidi que tinha que fazer uma coisa útil com meu salário e comprei um livro da Clarice, A Hora da Estrela. Se eu tiver uma filha ela vai se chamar Clarice.

Clarice sabe mesmo das coisas

Entrelaço meus dedos nos pêlos dos gatinhos que dormem ao meu lado. Eles ronronam, os maestros da sinfonia. E eu me aconchego entre as cobertas e leio Cecília, Clarice e Lygia*. E juntas pausamos para o chá.. Não são 5 da tarde, mas sorrateiras me dizem que não somos inglesas mesmo.

E Cecília sorve o chá e me diz que ela não tinha este coração, que nem se mostra. Eu vejo os saquinhos de chá se afundando na xícara e penso no sonho que ela pôs no navio e o navio em cima do mar, para seu sonho naufragar. Cecília é mulher dura, olhos secos como pedras. Eu só respondo que o meu coração também, só se esconde.

Clarice arqueia as sobrancelhas como exímia pescadora de olhares. E retirando o saquinho de chá pelas bordas da xícara diz que, não foi aquele romântico que escreveu uma vez que: amor é sim, ter constantemente o coração aberto, mas é também buscar a tristeza, a solidão e o ermo. Eu me recosto na cadeira e dou risada, digo que acho os românticos verdadeiramente engraçados por natureza. Quando eu era menina, li sobre o poeta que de suas águas-furtadas observava a amada. E águas-furtadas me assombravam. Até o dia que descobri que águas-furtadas é sótão.

E colocando a mão sobre a de Cecília, Lygia diz para ela não se endurecer tanto, porque já dizia a Adélia, que o amor usa o Correio, o Correio trapaça, a carta não chega, o amor fica sem saber se é ou não é. Não se sabe, apenas. E então Lygia acende um cigarro vaporoso e me pergunta o que mais me assombra.

A história mais assombrosa que li quando pequena foi Rapunzel. Do cavaleiro que atravessava a floresta negra e ficava cego. A fada que a aprisionava em uma torre. E os rabanetes. E eu. Sempre a Mrs. Dalloway, depois de tanto tempo, que estranho se lembrar de uma coisa como rabanetes. Eu e Mrs. Dalloway, ela repolhos e eu rabanetes. Cada coisa. Damos risadas e acendo um cigarro também.

Lygia propõe um café. Café e cigarros, então. E tudo se passa em preto e branco, como se Jarmusch nos dirigisse. Mas o café esfria, o cigarro apaga e elas se despedem. Mas Clarice, já de saída, me pega pela mão e sussurando, me diz: Eu sei, que o seu coração não se esconde não. E com um sorriso, sai levantando a gola da blusa contra a noite fria.

Eu fecho a porta e sorrio também. Clarice sabe mesmo das coisas.

*Cecília Meireles, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles

vê se pode

E eu cheguei de Campinas hoje de manhã e o ipod estava no bolso do casaco. E eu achei a melhor idéia do mundo. Chegar de viagem morrendo de sono e ir lavar roupa. E então que o ipod foi junto com o casaco. Justo agora que ele estava com a discografia dos Strokes, Pixies e Placebo. Quando isso aconteceu como meu celular ele voltou a funcionar quando secou. Há esperanças, então.

E sábado assistimos esse filme:

Joel: I can’t see anything that I don’t like about you.
Clementine: But you will! But you will. You know, you will think of things. And I’ll get bored with you and feel trapped because that’s what happens with me.
Joel: Okay.
Clementine: [pauses] Okay.

*Na foto, Gi e eu, numa boate dessas onde os caras usam baby look, hahaha. A gente foi ver um DJ e tal e apesar da vodka ser horrível (nem era Absolut, acha) eu me diverti horrores.

après moi

E hoje dentro do carro enquanto o sol refletia umas luzes em seu cabelo e você cantava essa música*, eu me senti tão feliz que quase chorei. E dentro da bolsa está o livrinho de frases em francês que você me deu, quase uma promessa esse livro. Eu não poderia estar mais feliz.
* E agora eu estou aprendendo a cantar a parte em russo, que é de um poema do Boris Pasternak, que é o escritor de Doctor Zhivago. No cinema quem faz a Lara, o amor de Yuri Zhivago é a Julie Christie, um dos filmes que a minha mãe mais adora.

o risotto

Ontem tive poucas aulas e tive tempo de cozinhar no almoço. Fiz um risotto de tomate com raspas de limão pra comer com queijo ralado na hora, mas não fiz com arroz arbóreo, porque não tinha. Tem que ficar mexendo constantemente e acrescentando água ou caldo de galinha ou o que preferir (no meu caso, molho de tomate) e aí a colher vai fazer com o arroz solte o amido e fique cremoso, parecendo que você colocou creme de leite. Também faço um outro com açafrão e depois só coloco queijo ralado, fica muito bom. Mas não tinha vinho. Tudo bem, porque eu também tinha que trabalhar depois.

Hoje à noite vou ficar em casa. Queria ver um Hitchcock ou um Polanski. Então, meu aluno VIP chegou. Estou vendo ele na recepção daqui. Mas enfim, hoje a amiga-pedagoga está incapacitada de ir ao show de uma bandinha indie que eu queria ver. Foi picada por uma abelha na orelha e agora o olho está inchado também. E o namorado está longe (longe dos olhos, mas perto do coração).

curtas

kathleen-hannakathleen hanna

E agora eu dou aulas de inglês. E eu tenho uma classe de teens, que olha. No final da última aula eu deixei os meninos (quase todos na sala são meninos) ouvirem mp3 e eu perguntei. O que você tá ouvindo? Ah, Teacher, Rihanna, Fergie. E eu naquela: mas onde esse mundo vai parar. Ah, Teacher, mas você gosta do quê. E eu disse ah, você tinha que conhecer umas coisas assim tipo Franz Ferdinand e Placebo. Quê isso, Teacher? Rock? É, é rock. Ah, então a Teacher vai no show do Nazareth, né? Come on you guys, do I look like someone who listens to metal bands? Yeah, kind of.

hahaha.