2014

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Eu havia escrito uma super retrospectiva do meu 2014. Li e tive que rir: quem quer saber tanta bobagem? Um ano pontuado de pequenas alegrias, mas traçado em desapontamento – com outros e comigo mesma. Cato os caquinhos, senão corro o risco de pisar em cima deles de novo. 2014 não foi mansinho comigo. Demandou energia, paciência, compreensão, fortitude – tudo em momentos em que eu não me sentia capaz de dar nenhuma dessas coisas.

Mas C.S. Lewis tá certo (estou com os 7 livros de Narnia Chronicles pra ler!): there are far, far better things ahead than any we leave behind (Collected Letters). 

Feliz Ano Novo à todos que visitam o Biscoito e Chá (mesmo quem não comenta, eu entendo, eu leio tantos blogs e raramente comento neles ❤ ) – esse bloguinho que eu comecei em Novembro de 2006 e ainda me faz companhia até hoje.

Desejo à todos tudo o que a vida pode oferecer de melhor em 2015 ❤

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o último do ano

A gente nunca sabe como vai ser os próximos 365 dias da sua vida. A mãe do Forrest Gump que estava certa: a vida é como uma caixa de chocolates, you never know what you’re gonna get.

Esse ano começou em Campinas, no apartamento que compramos com tanto esforço. Eu na escola, ele na International Business Machines. Depois nos mudamos para outra cidade, eu em outra escola, ele trabalhando para o Willy Wonka. Ele foi para a Rússia e eu fiquei decorando a casa – a árvore da varanda morreu, os gatos se adaptaram e eu passei frio. Nos encontramos na França <3.

Em Setembro marquei viagem de férias com a minha mãe. Em Novembro meu pai foi internado e 2 semanas depois faleceu – às vezes ainda engasgo no choro de falar isso. Dezembro acaba assim. Marido está no Templo Budista, vai passar o ano meditando, fazendo preces; que elas se estendam para a toda família. Mãe e irmão estão comigo no interior, vamos ver fogos, comer peru, beber prosecco – bem réveillon mesmo.

2014, venha do jeito que vier, estou pronta.

 

 

2012

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O ano que eu parei de trabalhar e fiquei em casa 6 meses com os gatos.

O ano que eu voltei a trabalhar no lugar que eu quis tanto sair em 2011.

O ano que eu tirei minha habilitação brasileira.

O ano que eu fali. Mesmo.

O ano que passei 2 meses de cama por causa da lombar.

O ano que nos mudamos para o nosso apartamento e trocamos a moto por um carro.

2012. O ano que meu cabelo finalmente cresceu de novo.

O ano que recebi minha mãe e irmã juntas em Campinas.

O ano que aprendi a fazer mala (budista, não de viajar) e strogonoff vegetariano (tenho que postar minha versão dia desses).

O ano que fiz 33.

Agora, acabou. 2013, te espero.

2009

Eu fecho 2009 com saudade. Das pessoas que conheci – algumas vou carregar comigo debaixo do braço, desbravando o ano novo. Outras devem mesmo cair na lava e virar cinza, com sorte viram fênix – há sempre alguma esperança.

Saudade das ruas de New York City.

Troquei de emprego tantas vezes que não dá pra contar. E agora no final do ano os planetas estão se alinhando, os pandas estão acasalando e parece que por enquanto achei um lugar legal pra trabalhar. Cortei franja, repiquei cabelo, cortei ele reto, a franja cresceu. Fui loira e estou morena. Aprendi a correr e fiz Body Combat com fervor. Engordei, emagreci, engordei. A saga.

Ouvi Metric, o último do Placebo, o último do REM, o último da Regina Spektor – o último do Ben Kweller ainda não. Fui ver de pertinho a Chan Marshall tocar, viajei, me aproximei mais da minha irmã, tirei meu CPE, comprei um MacBook, voltei a gostar de tocar guitarra e desencanei de vez de Stephen King (tô vendendo a coleção inteira, alguém quer?).

Tudo isso não teria sido nada sem você, Gi. Obrigada, pelas infinitas risadas, seus abraços nas minhas crises de choro, por recomeçar do zero (financeiramente), por ficar na cozinha em pé enquanto eu faço a janta e destilo sobre o meu dia chato. Você é pra sempre todo o espaço que cabe em meu abraço. Amo você!

2009 foi um ano que me surrou. Mas o resto, é resto. Desempoeiro o coração e sigo.

2010 não vai ter promessa, nem lista, só um emaranhado de planos. Muitos.  Quero descansar, cuidar de mim, estudar, trabalhar e aprender muito. Quero rever tanta gente, sair pra tomar café, ir na livraria, ver um show, ouvir Chico, comer no japonês e tomar sakerita, ler Lygia, blogar mais, viajar com o Gi e cuidar das gatinhas.

Feliz 2010.

2007

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Esse ano aconteceu umas coisas ótimas. Como minha carteira de habilitação japonesa. E eu nem sabia dirigir. Agora não vejo minha vida sem carro. E ter comprado o meu carro. Porque aquele que eu usava junto com o Ale não era bem meu. Tá, eu ajudei a pagar, mas nunca senti que era meu. E o meu carro é fofo. E eu blá pro aquecimento global nesse momento. Porque já encarei neve, chuva, sol ardido e tufão de bicicleta e mereço meu carro e tudo mais. Agora fico querendo enfeitar o carro como as japonesas fazem. Com almofadas e odorizadores em vidros que parecem de perfume, usar uma pashmina gigante pra cobrir as pernas no frio e ter um daqueles copos térmicos da Thermos de aço inoxidável, que eu já tinha visto naquele filme com a Bridget Moynahan e pensei: ah, quando eu tiver meu carro eu quero um desse pra tomar café no semáforo parado.

E não troquei de emprego esse ano, coisa que sempre faço. Não que eu GOSTE do meu emprego de peão de fábrica de auto-peças, veja. Mas porque aqui no Japão estabilidade no emprego é estabilidade financeira e eu preciso disso pra poder seguir minha vida fora daqui e fazer aquela faculdade. No Japão inteiro as mulheres ganham 30% a menos do que os homens, não interessa se é o mesmo trabalho. É quase como estar na Idade Média, tô te falando. Mas nessa fábrica o salário é igual pra todo mundo. Mas nem fico “Nossa, que ótimo” com isso. Porque isso é como deveria ser, não é pra achar especial.

Esse ano eu consegui emagrecer 7kg. Mais uns 7kg o ano que vem e me dou por satisfeita. Ainda não consegui superar minha compulsão por doces, mas peguei gosto por exercícios aeróbicos. Ainda falta beber mais água, mas já como salada no almoço e na janta, um pratão de salada colorida – coisa que eu fazia só quando dava vontade.

Surtadas sérias: nenhuma. Surtadas leves: umas 10. Nível de stress diário: 3. Ao contrário de 2006, nem dei de louca esse ano. É aquela pose de yoga fazendo efeito?

Não aprendi a falar francês nem espanhol. Nem aqueles livros didáticos de francês e espanhol eu comprei. Mas todo filme francês que passa naquele canal de cinema estrangeiro/independente eu assisto, mesmo com a legenda em japonês. Porque eu acredito na familiarização da língua, acho importante pro ouvido. Isso vindo de uma pessoa que aprendeu inglês sozinha. E eu já devo ter falado como me chateia. Isso de saber falar muito mais coisas em japonês do que em francês, só por morar aqui.

Livros nem acho que li muitos. Esse ano os livros da Anne Rice ocuparam bastante a minha imaginação. Ano que vem vou voltar para os clássicos que nunca li em inglês: Dickens, Mark Twain, James Joyce. Ouvi muito Cat Power esse ano. Praticamente nem saiu do play, ela. Cozinhei só coisas doces esse ano (pra mim a única coisa que realmente vale a pena perder tempo cozinhando) e agora estou lendo o primeiro livro do Richard Olney, o The French Menu Cookbook – que caso você não saiba, foi o livro responsável por Chefs em todos os lugares a começarem a cozinhar usando os produtos disponíveis em cada uma das estações para compor seus pratos, inclusive a influente Alice Waters; que faz questão não só de usar produtos frescos da estação como também produtos que são locais (e nós começamos a fazer compras em uma cooperativa, onde os produtos são frescos e baratos e ainda apoiamos os agricultores locais). O que hoje é meio óbvio, tipo agora morango é a fruta da estação aqui então morango é introduzido em muitos pratos e sobremesas em vez de, pêssego, por exemplo, que aqui a época é em agosto; esse conceito em 1970, quando o livro foi lançado, foi realmente algo. E demorei pra descobrir o mundo da literatura gastronômica mas agora não olho pra trás.

Boas festas, não dirijam se beber e comam bastante panetone. A gente se vê o ano que vem.

Pausa pro choque. Meu 2007 acabou de ficar pior. A Mary W. acabou o blog. Ela que é mãe do feminismo e avó do Frankestein. Fiquei 1 semana sem entrar na internet por conta do trabalho e da vida e o A Feminista acabou de vez. Por causa da polêmica dos posts copiados e tal, acho. Júlia, eu queria te dizer que o seu blog foi uma das melhores coisas na minha vida esse ano, como eu acho que você enriquece o que o povo chama de blogosfera – e pra quem eu vou perguntar se blogosfera, afinal, é lugar ou não-lugar? Eu queria saber o que você achou da morte da Benazir Bhutto. Porque o Ale me deu um daqueles speeches de como eu não sabia quem ela era e tal. Porque eu deveria me interessar mais, porque sou feminista e a inclusão de uma mulher na política de um país muçulmano deveria me interessar. Mas eu nem sabia. Tipo, nem sinto a repercussão. Igual quando eu disse à ele, o ano passado, que eu nunca tinha visto Thelma&Louise. Ele que acha que eu sou uma feminista meio relapsa e tal. Mas enfim, nem sei se você vai ler isso. Mas se você voltar a escrever em outra URL super me avisa, hein?
* a foto acima é de uma modelo que eu acompanhei com interesse esse ano, a Coco Rocha; no editorial Paris Je T’aime fotografado pelo Steven Meisel para a Vogue de setembro de 2007.