A rotina minimalista.

“A gente só leva da vida a vida que a gente leva”
Tom Jobim (em entrevista ao O Pasquim em 12/11/1969)

flowerhead

Aproveitamos a volta pra cidade natal pra recomeçar em vários sentidos. A começar pelo apartamento. O nosso último era muito espaçoso, mas fazia com que juntássemos mais coisas que o necessário – além de não conseguirmos fazer nada à pé, tudo fazíamos de carro. O apê de agora é pequeno, tivemos que nos desfazer de muitos supérfluos e nos perguntar: precisamos disso? Ficou apenas o essencial ou o que gostamos muito.Aqui no bairrinho fazemos quase tudo à pé: academia, restaurante, padaria. Em 2 meses fizemos mais coisas à pé que nos 2 anos em SJCampos.

Eu adoro varandas. E a do último apartamento era enorme, grande mesmo. Mas tinha uma vista feia, quem queria ficar sentada olhando pro estacionamento ou pro prédio vizinho? Então decidimos que prezaríamos qualidade de espaço antes do tamanho. A varanda atual é pequena (pra não dizer minúscula!), mas inversamente muito mais aproveitada por nós e pelos gatos. E a vista é linda. Sem falar na revoada de ararinhas todo final de tarde, daquelas coisas que não tem preço.

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sobre ser adulta.

you've got this

Ontem eu escrevi sobre a epifania que  tive ao me ver refletida no espelho. Essa minha dificuldade de me ver como adulta. Para todos os fins e propósitos sou adulta: já me casei, já me divorciei, casei de novo, dirijo – inclusive aprendi a dirigir enquanto morava em outro país que usa mão inglesa, onde morei um tempão, e ainda cuido de mim e mais 4 seres vivos. Por que então não me sentiria adulta?

Muitas outras mulheres se sentem assim, vide amigas. Muitas também são casadas, com filhos, em excelente posição profissional e ainda assim, meninas por dentro. Uma dessas amigas sempre diz: ser adulta é um saco – como assim gastar o seu dinheiro responsavelmente em uma cozinha nova quando a mesma quantidade de dinheiro te levaria pra vários lugares do leste europeu por 2 semanas? Pois é. Hoje eu estava falando de uma “senhora” pro meu marido e de repente me dei conta que ela era 4 anos mais velha que eu, e me ocorreu que muita gente deve se referir à mim assim, tipo ali do lado daquela senhora.

Não é uma síndrome de Peter Pan, veja bem. Eu adoro ter minha casa, carro, emprego (embora agora não), pago meus impostos, faço supermercado e cozinho – de jeito nenhum quero viver como uma adolescente – mas volta e meia me assusto ao me ver assim, adulta, ou pelo menos a imagem de uma.

aniversário e pausa

I miss you, Nessa <3

I miss you, Nessa ❤

Agosto de 2014 foi um mês tão difícil. E cá estamos um ano depois, ainda viva, ainda sorrindo, ainda achando alegria nas pequenas coisas. Amanhã é meu aniversário, e hoje à noite tem sushi na casa da minha mãe.

Também aproveito pra dizer que esse mês eu não vou escrever por aqui, preciso de férias de escrever (tem tanta gente escrevendo tanta coisa legal por aí!). Enquanto isso você pode ler as bobagens do arquivo desde 2006 ❤

Que Agosto seja simplesmente o melhor mês desse ano, pra mim e pra você.

Acabou, SJCampos.

Acabou, SJCampos. Vou sentir falta disso: caldinho no frio, fim de semana no litoral e cerveja no Chaparral, pegar um Pássaro Marrom pra São Paulo, aprender que quem nasce aqui é Joseense e não São-Joseense (obrigada) – cidade do avião e do bolinho caipira – festa junina do São Dimas (os churros das freirinhas!), brincar de montanha russa na descida do Habib’s, os piqueniques sinfônicos da Orquestra Filarmônica de SJC no Vicentina Aranha, açaí com leite ninho em qualquer lugar, andar no Maconhão, andar no Esplanada (e morrer naquela subida da Etep), maior concentração de gente bonita por metro quadrado, fazer um bate-volta pra Campos do Jordão, a comida do Al Badah, lanchinho a qualquer hora na Padaria Pão de Queijo. E todas as pessoas que conheci aqui ❤

Cidade tão querida, você fez parte da minha vida.

Antes daqui: Acabou, Campinas.

Quem me segue no IG já viu que eu e o Giovanni voltamos pra nossa cidade natal. Comigo não trabalhando e com ele trabalhando de casa (ele trabalha pra um instituto de pesquisa no Canadá, que desenvolve tecnologia de acessibilidade, é super interessante), esse nos pareceu o momento certo pra voltar ❤

Nadas importantes.

Which of all my important nothings shall I tell you first?
Jane Austen, from a Letter: Wed-Fri, 15-17, June 1808

Esses dias tem sido corridos, depois eu conto o porquê. Mas só sei que junta isso, com a viagem que vou fazer com a minha mãe e outras minúcias, pronto. Já é 19:15, parece que acabei de acordar, passou muito rápido!

yucca

Cozinhar todos os dias, almoço e janta, é um exercício de imaginação. Temos tentado comer menos carne, acho que foram aquelas duas semanas de Dukan que eu fiz que ó, peguei ranço de carne. Hoje a janta é sopa de ervilha com crouton. E estou simplesmente maluca pra fazer sagu de vinho com creme de baunilha.

elaine-benes-annoyed

Elaine.

Nós temos Hulu em casa, e desde junho o Hulu adquiriu os direitos de transmitir TODAS as temporadas de SEINFELD, só a melhor série de TV ever. Better Call Saul (alô fãs de Breaking Bad!) e GoT já acabaram suas respectivas temporadas, então estou revendo Seinfeld todos os dias. É demais, a série acabou há 17 anos (!!!) e continua super atual. A definição de clássico.

o esforço combinado

“Nothing of me is original. I am the combined effort of everyone I’ve ever known.”

Chuck Palahniuk, Invisible Monsters

DOMINGO

Hoje eu aceito isso, de ser o esforço combinado de todas as pessoas que já conheci, de todos os lugares que vi e vivi. Não me cobro tanto, de ter a fagulha da originalidade acesa 24 horas por dia. Há de se lutar por ela, entretanto.

Já faz 2 meses que estou em casa. Não estou contando, mas hoje não sabia que dia da semana era (quinta? sexta já talvez?) – hoje é quarta-feira, hump day. Quando se está trabalhando essas coisas não te escapam. É puro deleite, confesso, ficar em casa nos horários que você previamente estaria trabalhando; pra mim a hora mágica é as 3 da tarde, porque inescapavelmente eu estaria no meio de uma aula, ou reunião, ou whatever.

Devoro livros, filmes, notas musicais, café. Leio os livros de receita daqui de casa (Nigella, Martha, Rita me fazem companhia). Há dias em que tudo inspira e tantas idéias fluem, outros dias, como hoje, frios e sonolentos, e inevitavelmente infrutíferos. Há tantos planos em ação, fico feliz deles estarem acontecendo, pouco a pouco.

Life has a way of working itself out 

 

Hoje eu sou grata por isso.

virginia

– Virginia Woolf, A Room of One’s Own

Esses dias, a incrível Marina W. postou isso:

marinaw_blowg

E eu fiquei pensando nisso. De como hoje, aos 35 anos, mulher adulta, madura, dentro de minhas faculdades mentais e incrível sarcasmo, eu daria risada na cara de muita gente que me fez ou falou coisas desagradáveis.

Do meu prévio casamento, de prévios empregos, de prévias amizades – a mulher de hoje lida com as coisas de um jeito muito diferente, mais prático. Nada como um ano após o outro, pescando luz caída com paciência (já dizia Pablo Neruda), pra trazer mais clareza nessa vida.

Então de certa forma sou grata por todas essas pessoas desagradáveis, elas também me trouxeram até aqui, hoje.