Oscar 2015

Hoje é dia de Oscar. Tem gente que gosta, que não gosta, que não gosta mas assiste pra falar mal… Eu adoro. Não consegui assistir todos os nomeados à Melhor Filme, mas eis a lista (os que eu assisti estão riscados) e o que eu achei de cada filme assistido.

Os nomeados para melhor filme 2015:

“American Sniper” (Clint Eastwood)
“Boyhood” (Richard Linklater)
“Birdman” (Alejandro González Iñárritu)
“The Grand Budapest Hotel” (Wes Anderson)
“The Imitation Game” (Morten Tyldum)
“Selma” (Ava DuVernay)
“The Theory of Everything” (James Marsh)
“Whiplash” (Damien Chazelle)

THE GRAND BUDAPEST HOTEL (Wes Anderson)

the grand budapest hotel ralph fiennes

O primeiro da lista que assisti. O que dizer de um dos meus diretores favoritos, que nos trouxe The Royal Tenembaums e Moonrise Kingdom? Bill Murray aparece, claro. Edward Norton repete a colaboração que começou em Moonrise Kingdom. Personagens excêntricos? Todos aqui, como sempre.

Você precisa entrar no mundo que Wes Anderson cria – esse é o únivo jeito de ver/viver seus filmes. Esteticamente, seus filmes são fáceis de se reconhecer – e Wes Anderson tem cada vez mais colocado seu carimbo na linearidade de suas histórias – ele conta a história que quer contar, do jeito que ele acha que ela deve ser contada. Há de se admirar diretores assim, que não abrem mão de uma visão para agradar.

A surpresa pra mim foi o Ralph Fiennes, que eu sempre liguei à papéis dramáticos (The English Patient, como Voldemort nos filmes de Harry Potter e em The Hurt Locker) e que não foi nomeado dessa vez (ele foi nomeado em 1994 e 1997 por Schindler’s List e The English Patient, respectivamente).

Acho que ganha em BEST ORIGINAL SCREENPLAY, mas não em BEST PICTURE.

WHIPLASH (Damien Chazelle)

 Terence Fletcher: Either you’re deliberately out of tune and sabotaging my band, or you don’t know you’re out of tune, and that’s even worse.

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O segundo da lista que assisti. Então, tive um aluno, desses que te marcam e parecem ter a personalidade maior que a vida. Ele vive para a música e o instrumento que ele se dedica no momento é a bateria (ele é adolescente). Ele toca bem, também. Eu sempre fui fascinada por pessoas musicais, pessoas que assim como outras que entendem o mundo pela matemática (e que igualmente me fascinam), vêem a vida através de outro espectro – o sonoro. Se você se interessa por pessoas assim também, Whiplash é o filme pra você.

Eu nem sabia do que o filme se tratava, mas quis ver por causa do Miles Teller (que eu nunca havia ouvido falar antes de ter visto The Spectacular Now, que ele fez com a Shailene Woodley, e até contracenaram de novo em Divergent), que achei sensacional. Mas quem rouba a cena e comanda o filme cada vez que entra em frame é o J.K. Simmons, como o professor Terence Fletcher. Simmons é o editor do The Bugle, jornal onde o Peter Parker é fotógrafo. Então é assim que eu conhecia o J.K. Simmons – como J. Jonah Jameson, o editor mala nos filmes do Spider-Man.

Fazer o que for preciso para atingir excelência – lágrimas, suor e sangue no caso do estudante; impor respeito, causar repúdio e transbordar o amor pela arte no caso do professor. E o ego, de ambos os lados. Toda resenha que eu leio coloca a figura do professor como o do carrasco, e como tal (professora, não carrasca), não vi isso. A figura do professor é guiar e ser o devil’s advocate, ser a pessoa que incentiva, transgride e só exige mais porque acredita que o aluno pode mais.

Quando o Fletcher diz  “eu não estava lá (no conservatório) para conduzir, qualquer idiota pode balançar os braços e manter as pessoas no compasso. Eu estava lá para empurrar as pessoas para além do que é esperado delas. Eu acredito que isso é uma necessidade absluta” e também “não há duas palavras mais prejudicias do que ‘bom trabalho'” , não pude deixar de lembrar de Adrian Underhill & Jim Scrivener (figuras conhecidas pra quem dá aula de inglês como língua estrangeira) sobre Demand High.

Eu não conheço nada do Chazelle e agora, depois de ver Whiplash, já espero o seu próximo trabalho.

Acho que ganha em BEST SUPPORTING ACTOR, com o J.K. Simmons, mas não em BEST PICTURE.

THE THEORY OF EVERYTHING (James Marsh)

the theory of everyhting

Antes, sinto que devo dividir uma coisa: Stephen Hawking não é o meu físico favorito. Não tenho histórias engraçadinhas ou divertidas pra contar sobre a primeira vez que li Uma Breve História do Tempo, ou como achei legal o ice bucket challenge do ano passado (que não fiz) porque levantou a questão da ALS (ELA em português) de uma forma divertida. Então desculpaê.

E antes que me perguntem, eu tenho físicos favoritos sim. Não, não é o Michio Kaku, nem o Brian Greene e nem o DeGrasse (embora eu goste bastante do último). Eu, como Sheldon Cooper, tenho uma profunda admiração pelo Richard Feynman (quem já leu  Surely You’re Joking, Mr. Feynman! ou What Do You Care What Other People Think? – imperdível) e pelo Leonard Susskind (e mais recentemente pelo Raphael Bousso).

Bom disto isto, vamos ao filme. É um filme bonitinho, sobre relacionamento. Eu particularmente gosto de filmes de relacionamento baseado em pessoas reais que seja mais intenso, como Pollock, ou até mesmo Sylvia (que não foi um filmaço, mas foi intenso onde precisou). O Redmayne é bom ator? Sim, claro – basta ter assistido Les Misérables do Tom Hooper (que também dirigiu o premiado O Discurso do Rei). Diferentemente de Nicole Kidman,que ganhou uma prótese no nariz pra viver a querida V. Woolf em The Hours (2002), levando assim o Oscar de melhor atriz daquele ano, não acho que as próteses na orelha e nos dentes de Redmayne fizeram a mesma mágica para The Theory of Everything.

Dizem que ganha em BEST ACTOR, com o Redmayne – mas eu mesma estou apostando em outro. Não acho que vai ganhar BEST PICTURE.

BIRDMAN (Alejandre Gonzáles Iñárritu)

birdman

Esse eu assisti ontem à noite. Assim como The Theory of Everyhting e diferentemente de The Grand Budapest Hotel e Whiplash, assisti o filme já com um hype considerável acerca da história, a atuação do cast, etc. Eu tento não ler resenha antes de ver filme algum, leio sinópse e vejo diretor, só. Mas Birdman foi impossível de evitar (ou resistir). Dizem que assim como Pulp Fiction do Tarantino ressuscitou a carreira do Travolta, Birdman vai fazer o mesmo pelo Keaton, que foi o queridinho dos anos 80 e meados dos 90.

Traçar paralelos entre a própria trajetória de Keaton e Birdman pode se tornar um exercício falho. Então vou à atuação crua e verossímil de Keaton, nosso eterno Betelgeuse fanfarrão. Keaton traz à mesa o que o personagem pede. Iñárritu, de quem eu só vi Amores Perros e 21 Grams (com Naomi Watts, que também está em Birdman), quis traduzir o jeito de Joyce escrever (stream of consciousness) para a tela – e o faz com maestria, trazendo a sensação de uma história fluída, sem cortes, sem separação do que é próprio ou outro.

Levando em consideração que deixei de ver 3 dos 8 filmes indicados, acho que BIRDMAN disputa BEST FILM com BOYHOOD. Keaton merece ganhar BEST ACTOR, mas tô achando que vão favorecer o REDMAYNE na disputa.

BOYHOOD (Richard Linklater)

CREDIT: Matt Lankes for IFC Films

Linklater + Ethan Hawke= goodness. Pense na trilogia Before (Sunrise, Sunset e Midnight) e o que você espera é a arte do diálogo. Um filme sensível, que teve paciência de ser feito – e muito bem feito. Uma partinha de mim queria que a mae tivesse sido feita pela Julie Delpy. Mas tudo bem, porque a mãe da Patricia Arquette é sensacional. O filme tem uma narrativa bem masculina, o que faz que cada vez que a Patricia Arquette aparece, o filme vira Motherhood (apesar de não ser mãe, me identifiquei demais com o papel dela).

Disputa BEST FILM com Birdman. Mas acho que ainda pode levar BEST SUPPORTING ACTRESS com a Patricia Arquette ou BEST SUPPORTING ACTOR com Ethan Hawke.

 

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