organização de fim de ano

feliz-2015

Deitada no sofá olhando para a janela de correr que dá para a varanda. Céu cinza, muito calor. Casa cheirando lavanda, gato deitado na frente da TV, silêncio. Só consigo descansar assim: com a casa arrumada e limpa.

Uma amiga indicou o livro The Life-Changing Magic of Tidying Up, da Marie Kondo – e eu, como interessada no conceito de Wabisabi (侘寂), baixei no Kindle e li. 

If an object or expression can bring about, within us, a sense of serene melancholy and a spiritual longing, then that object could be said to be wabi-sabi.

magic

Sabe aquilo que você ouviu e leu a vida toda? De que a bagunça deve ser lidada aos poucos, reserve 15 minutos por dia, limpe por setores, etc. Ela diz o contrário: ikki nifaça tudo de uma vez só e não setorize, arrume por categorias, por exemplo, roupas – já que na maioria das vezes elas estão por vários lugares da casa. É importante que você pegue cada objeto na mão e se pergunte: Isso me traz alegria?

Gosto de pensar que eu tenho uma mente muito aberta e não tenho problema com pessoas que antropomorfizam coisas – gente que dá nome ao carro, conversa com o cahorro como se fosse gente, etc – e Marie Kondo propõe isso: que você agradeça à sua casa pelo abrigo sempre que entrar (pode ser mentalmente, ela diz), entre outras coisas. Por isso decidi tentar o método dela. Sujeira a gente sempre tem que limpar, mas a organização, ela diz, deve ser feita só uma vez e de uma vez só.

Eu sempre tento manter minhas coisas e minha casa clutter-free, livre de bagunça. Mas elas voltam. Se meu método fosse tão eficiente, por que volta e meio sempre estou me ocupando com isso? Comecei pelas roupas, como sugerido. A mente tenta justificar cada suéter velho com bolinhas e sem botão, mas fui firme. Mantive só o que realmente me traz alegria. Eu entendo que alegria é muito subjetivo, então não foquei se elas  me trouxeram alegria (“ah, mas eu estava usando isso no dia x y z”) e sim na sensação de bem-estar que cada coisa me traz.

Ela sugere fazer isso com livros depois e diz: a oportunidade de ler um livro se apresenta quando você compra ou ganha ele. Se você deixou essa oportunidade passar e o livro tem sentado na sua estante há anos, é muito provável que você não o leia. E aí entra a antropormofização: as coisas gostam de ser úteis, e vão acumular energia se ficarem paradas, sabendo que não estão sendo de utilidade. Há umas semanas eu já havia feito isso com meus livros: só tenho o que gosto de ler e já li. Mais: tudo o que você descartar, deve ser agradecido por um trabalho bem feito, para que a energia seja liberada do lugar (“Thank you for having served your purpose in my life. I am now making space for something new and better to come into my life.”)

Tem várias outras categorias e a mais difícil é a dos mementos (lembranças). Levei dois dias inteiros para passar por todas as categorias e já faz quase 2 semanas que a casa continua arrumada, como se alguém tivesse feito faxina todos os dias.

Unbelievable as it may sound, you only have to experience a state of order once to be able to maintain it.

—Marie Kondo, The Life-Changing Magic of Tidying Up

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2 comentários sobre “organização de fim de ano

  1. Leila disse:

    Ainda bem q vc tem mente aberta para que dá nome as coisas. Eu faço isso desde pequena, rsrsrs. Meu carro era o Buddyinho, por causa de um para-sol da Budweiser que eu usava, rsrsrs. Tudo meu tem nome. Mas isso torna mais difícil se desfazer das coisas.

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