RA – reeducação alimentar

vendettaEstá chovendo e estou me sentindo um pouco triste. Na verdade, eu venho me sentindo um pouco triste desde que voltei de Nova Iorque, porque engordei 2.5kg em um mês. Ontem fiz as unhas (esmalte uva – a cor do inverno que eu vi em todos em lugares em Nova Iorque – adorei e uva vai ser minha cor esse inverno) e hoje fiz uma escova no cabelo, um mecanismo de defesa que eu desenvolvi pra não ficar deprimida.  Eu me amo e acho que tenho que acordar desse estupor e cuidar de mim.

Antes que alguém ache que é muito escândalo em cima de 2.5kg: comer de forma saudável nunca foi fácil pra mim, durante anos meu peso flutuou, mas em 2006, quando cheguei aos 83kg (tenho 1.70m) decidi que não podia mais viver desse jeito, engordando e emagrecendo. Então passei a me alimentar de acordo com a pirâmide alimentar (por porções de diferentes grupos alimentares) e emagreci 10kg, chegando aos 71kg. Mantive o peso desde então, flutuando entre 71 e 73kg, mas ficar um mês comendo em restaurantes me fez sair do meu peso estável e engordei – hoje estou pesando 73.5kg.

Esse blog é quase catártico. Ou assim me pareceu em 2008. Nenhum lugar mais apropriado, pra mim, conversar sobre isso. Como feminista, é difícil achar alguma literatura que me deixe vivenciar as duas coisas plenamente: me dar completamente o direito de me sentir vaidosa sem me ater aos padrões estéticos e ainda assim militar contra meninas que se punem com bulimia e anorexia. Nunca achei que fossem assuntos excludentes.

Hoje o programa da Oprah (às 16h no GNT) foi sobre obesidade na adolescência. E me fez pensar: quando essas adolescentes eram pequenas ou ainda muito crianças, os pais e todo mundo, deviam achar esses bebês gordos bonitinhos – mas daí a gente cresce e de repente é rejeitado porque não serve, porque é muito gorda.

Um dos pilares do feminismo é trabalhar em cima de body image: quase sempre direcionado à aceitação, amor-próprio e a auto-estima. Muitas meninas, que foram super-alimentadas e acolhidas, depois rejeitadas e repreendidas (principalmente pelos pais), assim que são acolhidas pelo feminismo são bombardeadas de informação como não faça dieta, não leia revistas de dieta, se ame do jeito que você é – o que acho super válido. Mas acho que o approach deveria ser outro. Que todos aqueles sentimentos de self-loathing e self-hatred não se escondam atrás dessa mensagem.

Que a gente consiga passar a mensagem de que não há conflito algum em querer ficar bonita e se sentir gata *jogada de cabelo* simplesmente porque você se ama – sem culpas.

É o que eu vou tentar aqui.
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3 comentários sobre “RA – reeducação alimentar

  1. amanda disse:

    giselle. ai, esse é meu assunto preferido.
    mais do que falar de seriados ou de filmes ou mal de alguem.

    então eu nao vou nem começar a falar senão nao paro mais e voce me bloqueia por aqui (hah).
    mas enfim, eu estou na mesma que voce, fui gorda minha vida toda e cheguei ao maximo da acomodação e ao máximo da rejeição a si mesmo.
    não sou feliz gorda.
    ninguem é.

    resposta:
    Pois é. E durante tanto tempo eu mascarei isso. Tipo eu era a gordinha engraçada, que fazia piadas de mim mesma antes de alguém falar alguma coisa. Mas cansa, né. Cansa demais essa vida de picadeiro. Daí que eu quero me dar o pontapé inicial, mas é difícil – mas a gente consegue, igual o Martinho da Vila, devagar devagarzinho.

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