são paulo – parte 1: prédios e o Masp

É estranho pensar que moro à 1h de São Paulo e no entanto já fez 5 meses da última vez que fui pra lá. Nós estávamos planejando voltar há algum tempo e sábado de manhã, ainda na cama, decidimos ir visitar o Masp. Às 13:00 já estávamos na Paulista. Como eu gosto dessa avenida. Eu nunca havia ido ao Masp. Acho que só a arquitetura vale. Aquele vão-livre é de um bom gosto sem tamanho, a simplicidade das linhas e os pilares que deixa uma estrutura quadrada tão leve.E eu sabia, que daqui a pouco eu ia ver um Renoir.

paulista-masp

Mas na quadra ao lado do Masp tive um amor arquitetônico: o Edifício Dumont-Adams. Um edifício da década de trinta em frente ao parque Trianon e ao lado do Masp. Abandonado. Seu eu tivesse muito dinheiro, eu comprava. Tem coisa que simplesmente não tem preço. Esse edifício é uma delas.

via Folha Online Ilustrada:

“…O antigo presidente do Masp –que é arquiteto– desenhou um ambicioso projeto. Ele queria construir uma torre de 110 metros de altura no edifício Dumont-Adams, que fica ao lado do Masp. A proposta foi levada à operadora de celular Vivo, que decidiu desembolsar R$ 13 milhões para que o museu comprasse o edifício desde que ela pudesse colocar seu nome no topo da torre. Como o Conpresp (conselho municipal do patrimônio histórico) vetou o projeto, a Vivo entrou na Justiça pedindo o dinheiro de volta. A despeito da disputa judicial, Neves desenhou outro projeto para o prédio. Ele seria reformado para abrigar uma escola de arte, um restaurante e um café. A administração do museu também deve migrar para o prédio vizinho, o que aumentaria o espaço de exposição do Masp. O investimento deve ser de aproximadamente R$ 30 milhões.”

Dois estudantes de arquitetura invadiram o Dumont-Adams e tiraram fotos de dentro. Gil, um dos estudantes, diz: ” o dumont é bem bonito, o último pavimento é um desbunde, mesmo deteriorado. mas é difícil pensar função pra ele hj.
é parecido com os cinemas do centro, que são exuberantes mas não se encaixam com nosso cotidiano atual.”

dumont-adams-giselle

Junte um casal apaixonado por arquitetura e uma das avenidas mais bonitas de São Paulo e você tem milhares de fotos de prédios em casa. Se o Dumont-Adams foi amor à primeira vista, ele se apaixonou pelo Savoy.

giovanni-savoy

OLHAR E SER VISTO

A primeira exposição que vimos no Masp. É uma exposição de retratos e auto-retratos de pintores como Rembrandt, Picasso, Van Gogh, Modigliani, Manet e Renoir. É um estudo da efígie (representação plástica da imagem de uma pessoa real ou simbólica) e como muitas vezes o retrato funciona como um exercício de auto-retrato para o próprio pintor.

“…No caminho proposto pelo curador do MASP, Teixeira Coelho, as primeiras obras mostram retratados de corpo inteiro, altivos e imponentes. Mais para o final o que aparece dos modelos é quase nada e em alguns casos as imagens mal permitem a identificação do retratado…”

Primeiro vemos imagens da aristocracia e do alto clero. O tamanho da tela em si é imponente, adornada por molduras em madeira trabalhada. Se você fosse um pintor renascentista como Tiziano, o dinheiro viria da arte sacra. O que não me atrai.Não gostei da iluminação. Era bem difícil achar um ângulo que favorecesse as pinturas. Espero que o presidente do Masp dê atenção à mais simples das estruturas em uma galeria de arte.

Uma pintura de um Cardeal do Tiziano é de 1552. Que coisa. Tipo tem a idade do Brasil. Essas coisas me dão um senso de continuidade. Mas eu sou besta. Não entendo de arte.

Há também os auto-retratos. Eu acho auto-retrato a coisa mais uau em arte. Os auto-retratos de Man Ray, por exemplo. Como uma pessoa se vê. Por isso que eu gosto de ler biografia ou coletânea de cartas dos meus escritores preferidos (já li daElizabeth Bishop e da Sylvia Plath; próxima: Simone de Beauvoir). E ver um Rembrandt. Não achei especialmente bonito aquele auto-retrato, as cores escuras e o rosto melancólico falam por si só de um vazio que tinta nenhuma preenchia.

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Na parte de retratos modernos eu quase morri. Juro. Eu estava vendo o Estudante de Van Gogh e de lado avistei um Modigliani. Modigliani! Fiquei realmente impressionada. Modigliani, Matisse, Renoir, Cézanne, Van Gogh, Picasso. Devorei cada pincelada, registrei cada troca de nuance. Obras que eu sempre vi impressas em livros de arte e faziam parte do meu imaginário, lugares para os quais eu fugia folheando um e outro livro. É de tirar o fôlego. Imagina quando eu estiver em Nova York, no MoMA, no MET, no Guggenheim. Morri.

Esse Renoir foi o que eu mais gostei: Rosa e Azul – As Meninas Cahen d’Anvers

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É impressionante comoa pintura de perto é difusa e à medida que você se afasta ela ganha definição. Eu sei que essa técnica tem um nome, mas eu não sei mesmo. Também vimos o Picasso fase azul que havia sido roubado e esse Monet, A Canoa sobre o Epte.

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