Carta à Uma Escritora

Clarice, era você a Esfinge? Decifra-me ou te devoro? O cheiro do café coado inunda a cozinha logo pela manhã e os instantes me pegam tão de súbito que me assusto.

É isso, meu deus? O Presente?

Pausa. Porque a luz reflete na vidraça que vira um prisma e firma os segundos. O instante é. Já foi. É de novo. Quando foi o teu instante, Clarice? E faço um pacto com os instantes que se aproximam: páro de caçá-los como O Pequeno Príncipe caçava cometas.

Ouve-me. Ouve o silêncio, você me diz. Porque o que me falas nunca é o que me falas e sim outra coisa. Tuas palavras me fazem querer mudar minha natureza, faz-me querer dançar à sua volta, estonteá-la, surpreendê-la – Miranda que sou.

E é tão inútil, Clarice. Ensinar o near future. Vamos então, você e eu, abolir o going to e com os dentes resumir toda a gramática em present tense.

Simple present.

*lendo Água Viva, da Clarice. Por isso.

Carta à Um Escritor

Carta à Uma Poetisa

Anúncios

Um comentário sobre “Carta à Uma Escritora

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s