chá, um gosto amargo na boca e tasseografia

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Enrolada em uma manta, senta-se na sala com a tv ligada. E como uma cigana, procura nas folhas de mate no fundo da xícara por algum significado. Ele* era tão jovem, pensa, minha idade. E bonito. E de um talento assustador. Ela viu a notícia aqui e não registrou. Daí a tv e o chá que esfriou nas mãos. Mas não há tempo para ponderar. Há as areias, sempre. As do tempo. Que embora fugidias, sempre a ancora no presente. E assim ela vê toda a procissão do cotidiano que ainda assim se arrasta: um beijo emoldurado em prata, um riso impresso em papel fosco, um abraço que cintila na água da pia, enquanto você lava a xícara, enquanto você se ocupa com os dias.

*Goodnight, Heath.

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7 comentários sobre “chá, um gosto amargo na boca e tasseografia

  1. mariana disse:

    Ainda não consigo acreditar… e tento não pensar na filha de dois anos. Triste.

    resposta:
    Eu também não. Eu li no blog da Mary W. e não entendi, mesmo ela tendo escrito “ele se suicidou”. De não entender mesmo. mas daí que antes d eligar a tv eu fui ver o yahoo.com e lá estava escrito que o pai fez uma declaração sobre a morte do filho e te juro, eu tive que ler umas três vezes pra entender que o pai do heath Ledger que falava sobre a morte do filho, porque a mente insistia em entender o contrário, o heath falando da mprte do pai. daí liguei a tv. estou chocada mesmo. Umas semanas atrás aquele menino que fez “O Cliente”, se suicidou também, com 25 anos. Mas não fiquei chocada. Triste, mas não chocada. Eu achava o Heath muito talentoso, desses que aparecem só de vez em quando. Acho que o mesmo com o River Phoenix.

  2. helenafelix disse:

    Aqui tá rolando uma comparação com o River Phoenix mesmo. Todo mundo meio chocado.

    resposta:
    Sério, Lena? Porque eu pensei logo no River Phoenix. E até hoje quando você assiste, sei lá, My Own Private Idaho do Gus Van Sant, é de se impressionar mesmo.

  3. .m. disse:

    Não sei se é motivo para chocar-se, afinal, para o resto do mundo à exceção da família, não era uma pessoa real.

    Claro que “não devemos perguntar por quem os sinos dobram”, mas estou longe de ficar consternado como fico quando presencio (ou tomo conhecimento) de situações bem mais marcantes.

    Enfim, como todos, ele também merece um pouco de paz…

    resposta:
    Eu me choco sim, quando pessoas de real talento morrem de forma tão súbita. Numa era de Paris Hilton e similares, onde se é famoso por nada. E como definir, afinal, “situação bem mais marcante”? A queda do World Trade Center? Por favor. Não estaria mais longe da minha realidade, isso. Ou aquela queda do avião em São Paulo, for that matter. Mas é claro que você tem direito à sua opinião. Ah, é, adorei a sua página de poesias, achei várias que eu gosto. Até John Donne tem. Não tem The Good-Morrow, dele, que é a que eu mais gosto, mas vou passar um tempo lá lendo tudo.

  4. dane disse:

    Fiquei muito chocada com isso. Me lembro com uns 15 anos assistindo “10 coisas que eu odeio em você”, que foi o filme que me fez começar a gostar muito dele e daquela outra atriz que faz papel de namorada dele (não lembro o nome dela). Lembro dela gostar de Raincoats, o que me fez já me identificar muito com tudo lá. Agora poderemos ver a última atuação dele quando lançarem o batman novo (ele fez o coringa…não sei se deu tempo de terminarem as gravações também). Uma perda muito ruim.
    Já assistiu “viver”, do Kurosawa? Me lembrei daquela música que o protagonista canta, que começa com “a vida é curta….”…

    resposta:
    O único que eu vi do Kurosawa foi Sonhos (?). Eu sou muito relapsa com filmes cult. E lembra que ela, a namorada dele no 10 coisas que eu odeio em você, a primeira cena dela no filme ela aparece lendo… The Bell jar, da Sylvia Plath? Já me identifiquei ali. E ele escolheu bem os papéis e tinha uma atuação forte. Eu ainda estou assim, digerindo a notícia.

  5. Larissa disse:

    Gostei desse texto. Muito bonito, poético e subjetivo. Gosto assim 🙂
    Também não entendi a morte do Heath … e só agora reparei que seu nome é Calor.

    resposta:
    Se não fosse pelo h, podia ser Calor, hahaha. Ele entraria pra família do River Phoenix (tá, outra comparação), todos tem nomes bem hippies tipo Folha e outros que eu nem lembro, o Joaquin trocou o dele, era um nome super hippie também.

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