Jukebox – de 1 a 4¹

O Pedro, de Portugal, deu uma de gênio da lâmpada e me deixou um link para o novo disco da Cat Power, que vai sair agora dia 22. Obrigada, Pedro. Mas mesmo assim a gente vai. Comprar na loja e tudo o mais. Ela merece.

Jukebox – 2008

1 – Theme from New York, New York – Scorsese deve estar dando um sorriso de lado, levantando os óculos grossos, com um copo de whiskey na mão² , reclinado na poltrona, pensando que foi seu filme que inspirou essa música que virou gema preciosa na voz da Chan Marshall. Porque tem cada versão horrorosa dessa música. Dia desses, quando a Globo Internacional liberou o sinal na tv à cabo, passou uma reportagem com um brasileiro que mora em Nova Iorque e se deu bem no ramo de construção de calçadas e tal e agora lançou um disco, e ele cantando New York, New York num inglês abrasileirado em ritmo de forró… Isso me faz apreciar mais a música quando em boas mãos. Ou voz. Quando ela canta I wanna wake up in a city that doesn’t sleep, to find I’m cream of the crop and top of the heap não tem aquela pontuação musical do Sinatra, onde você imagina o Fred Astaire fazendo a SUA pontuação de foxtrot característica: jogando o braço estendido e a perna de um lado, quase parando -não é uma New York, New York de final grandioso, aquela coisa broadway onde você imagina mil garrafas de champagne estourando com o Sinatra descendo uma escadaria, de cartola e tuxedo. Mas aos 01:50 de música, a Senhorita Marshall mostra o alcance de sua voz, o inverso das mil garrafas de champagne. Um estouro só, melancólico talvez, triste não.

2 – Ramblin’ (Wo)man – Eu não conheço nada do Hank Williams, a não ser que Cold Cold Heart da Norah Jones é uma regravação de um country dele. E diferente de The Greatest, onde há bastante guitarra e backing vocals, nesse álbum a banda faz só uma tela branca pra Chan fazer dela uma obra de arte. E essa música mostra bem isso, o minimalismo todo do álbum. Não é a minha preferida, por enquanto.

3 – Metal Heart – Moon Pix é, de longe, o meu álbum preferido dela. Eu gosto muito de todos os outros, mas em Moon Pix acho que ela estava em um momento de genialidade-encontra-desespero singular que se traduziu ao álbum em faixas como Colors and the Kids e… Metal Heart. Então deixa eu falar logo antes que eu me engasgue: não gostei logo de cara. Ou melhor, tinha achado a versão original melhor. Achei que faltou aquele jeito dela gravar com várias vozes, tipo em He War do You Are Free, que ela faz em Metal Heart também (por isso que eu amo o Elliott Smith, ele sempre usava isso, de gravar várias vezes sua voz e sobrepôr). Mas no final quando ela diz Metal Heart, you’re not worth a thing, ela canta como quem já foi machucada. Me identifico. E me rendo. E começo a achar o que muita gente já sabe: Chan não regrava, reinventa.

4- Silver Stallion – Não que eu me importe MUITO com ficha técnica de álbum, mas gosto de ler. Será que é ela que toca nessa música? Só voz e violão. Eu quero achar que sim. É a minha preferida até agora. E me lembra tanto aquele outro cover dela, do Velvet Underground, “I Found a Reason” , do The Covers Record (adoro quando ela canta “…And you’d better come come, come come to me…”). Então imagino ela sentada na cama, com o violão no colo e só a voz e as cordas que escorregam ásperas entre os dedos. E não consigo parar de cantar o refrão: “…and we’re gonna ride, we’re gonna ride, ride like the one-eyed jack of diamonds, with the devil close behind, we’re gonna ride…” (algo como: “… e nós vamos cavalgar, vamos cavalgar, cavalgar como o valete de Ouros caolho, com o diabo no encalço..”).Eu gosto de como ela usa a palvra sister em vez de brother, como na versão original. E Ramblin (Wo)Man em vez de Man. Tipo, a Paula Toller quando canta Esotérico do Gilberto Gil, não muda o gênero. E daí? Nada. Mas eu gosto mais quando quem canta se apropria do gênero.

¹Houve um problema, não consegui fazer download das 4 últimas músicas. Justo as que eu mais queria ouvir (aquela pro Bob Dylan e a da Joni Mitchell). E das músicas bônus eu quero ouvir a da Patsy Cline.
²Nem sei se ele bebe, na verdade. Nessa minha visão ele tá uma coisa Hugh Heffner, de roupão vermelho.
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5 comentários sobre “Jukebox – de 1 a 4¹

  1. Rayla disse:

    A voz da Chan é tão suave e meio melancólica, me encanta muito, e a versão de I found a reason me arrepia toda vez que escuto. Da onde você baixou o CD novo?

    E adoro seu blog, faz um tempo que leio, mas nunca comentei antes 😉

    resposta:
    Rayla, no post “Sintoniza”, nos comentários, o Pedro deixou o link pra mim 🙂 Vai dar uma olhada. 😉

  2. giovanni disse:

    Eu não conheço muito de Cat Power pra fazer nenhum comentários muito informado mas.. Metal Heart é a melhor 🙂

    resposta:
    Por enquanto, fico com Silver Stallion. Mas tenho que ouvir tudo e ver o que ela fez com a da Patsy Cline.

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