Your Love is The Place Where I Come From

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Há uns 9 anos atrás eu ouvi essa banda aí em cima pela primeira vez. E foi assim.

Minha querida amiga Dri gostava de um menino; que para todos os propósitos sempre foi e será (para nós) chamado de Flavor Flav – não que ele usasse um relógio enorme no pescoço como o homônimo do Public Enemy, veja bem. E então que o sentimento parecia recíproco. Porque o Flavor Flav fez, na melhor tradição indie rocker, um cassete pra ela. Pausa. Se você não entendeu o peso desse gesto em uma relação, sinceramente, vá assistir Alta Fidelidade.

Porque quando você fazia um cassete, você tinha que pensar em termos de lado: A e B. Já o CD tirou essa complexidade da equação. Mas enfim. Só que pra indie todo lado é B. Bem Fábio Massari. E ainda tem o conteúdo da letra, que supostamente, tem que dizer tudo o que você queria dizer pra pessoa. Depois me falaram que o Flavor Flav só foi morar na Inglaterra pra ficar seguindo o Teenage em vários shows. Creepy, but kinda cool.

E então que nessa fita que ele deu à ela, tinha duas bandas das quais ele sempre falava, mas que a gente não conhecia até então: Ride e Teenage Fanclub. E obviamente essa fita me foi emprestada, porque eu queria avaliar o conteúdo (hardy, har har). E foi assim que eu encontrei A banda da minha vida. TEENAGE FANCLUB.

Lembro da gente ouvindo Your Love is The Place Where I Come From no meu aparelho de som antigo – que tinha uma função karaokê – deixava as músicas só com o instrumental e os backing vocals. E foi meio fundamental isso, porque daí a gente aprendeu a cantar em harmonia. E o resto é história.

E o Teenage veio pro Brasil uns tempos atrás, foi na MTV, foi o arroz da festa e o gás da fanta de tudo quanto é alternativo no país, né. Meio o que tá acontecendo com a Cat Power agora. Mas daí que ninguém mais fala deles, a poeira abaixou, acho. Agora o povo quer ouvir The Killers*. The horror. E eu ainda continuo gostando de Teenage Fanclub. Porque tem coisa que, definitivamente, não passa. Eu digo isso muito, mas nesse é caso é muito verdade.

Tudo isso pra emendar uma história da Dri, que fala bem dessa época quando a gente parava o mundo pra ouvir Teenage Fanclub.

E o Norman tá envelhecendo tão bem, né Dri?

*e eu sei que a blogger que eu adoro ama The Killers. Por isso eu falo que nem tudo na vida é perfeito.

causos e norman bates

por Adriana Domenes

Sabe que uma vez a Giu* e eu atacamos de escritoras à lá Stephen King. Nossa personagem assassina também se chamava Norman. Acho que era Norman Bates**. Isso, Norman Bates, como a Kathy Bates (isso??) que amarrou seu amado numa cama e quebrou seus pés com marteladas, graaaaa! Maldita, Bates. Eu lembro dessas coisas hoje e rio muito, porque me lembro dos nossos rituais literários. Tipo ficar no escuro absoluto durante a madrugada no quintal da Giu, meo eu juro que me borrei de medo! E naqueles tempos a gente personificava o Norman Bates num faxineiro de um shopping da cidade***, a gente vivia perseguindo o coitado que era esquisitão e soava meio… macabro. Pois é. Dai descobrimos que o tal faxineiro gostava de Ramones (perfeito!! haha) e eu deixei de “idolatrá-lo”, por assim dizer, como meu Norman Bates personificado. Se gostasse de Motorhead, pelo menos. Ou Teenage, por que não? Hehe…

Tá, isso me fez me lembrar de um papo toupeira da cidadela onde trabalho. Perto dessa cidadezinha tem uma outra chamada “Água Boa”. E lá havia três irmãs: Fé, Caridade e Esperança. Depois de viver muitos anos, cada uma delas tomou seu rumo “natural”, ou seja, “bateu cas caçuletas”. A Esperança foi a última delas a morrer… dai as pessoas começaram a aloprar: “poxa, se a esperança é a última que morre, e agora a Esperança acaba de morrer… estamos todos perdidos”…dãn!

mais ou menos isso. causos de paris.

*prazer.
**por causa também do Norman Blake, do Teenage, óbvio.
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5 comentários sobre “Your Love is The Place Where I Come From

  1. diegocwb disse:

    Hahahahahaha começo a ficar com medo das coincidências que esse mundo está me provocando. Momentos antes de entrar aqui, estava procurando justamene imagens do Flavor Flav no google, pq ele foi tema de muitas discussões ontem, e tinha uma amiga que não conhecia ele.

    quanto as fitinhas, eu vi um caso diferente acontecer esse ano, a tecnologia mudando as “tradições” mas de certa forma, preservando certos aspectos.
    uma amiga minha ganhou de um pretendente (que vieram a namorar depois) um mp3 player com as músicas para que ela escutasse na ordem e tal. a idéia das músicas/letras numa certa ordem funciona ainda, só o meio é que está mudando pelo visto.

    resposta:
    Nossa, eu me sinto velha quando isso acontece. Esses dias falei pra não sei quem de Run DMC e a pessoa nem sabia do que se tratava. Ah, que bom que as pessoas ainda gravam suas músicas favoritas pras pessoas que elas gostam, né? Eu nunca soube fazer fitinha. Dava um nó danado na cabeça. Porque eu queria que a pessoa visse uma lógica na escolha das músicas – mas que daí só eu entendia a escolha. O último CD que eu fiz pro Ale teve até Vonda Shepard (aquela que canta a música de Ally McBeal e sempre fazia pontas no seriado) cantando For Once In My Life e Frankie Valli and The Four Seasons.

  2. marcitolina disse:

    ah, adorei esse texto e saber dessas coisas tuas… me faz lembrar de uma amiga de infância que casou e virou outra pessoa. uma adulta aí… daquelas qualquer… que triste… (e que malvada da minha parte dizer isso, não? haha)

    e li a resposta do Diego e… fitinhas K7?! Eu sou a única que eu conheço que tem no carro um toca fitas que ainda por cima tem o Doolittle original! Mas eu devo queimar muito meu filme com os pretês… os pretês modernos de merda… tsá! hahaha – Quem liga pra eles? Eu tenho Pixies original e me divirto cantando as fitinhas cassete anos 90! =)

    Beijão

    resposta:
    Ai Marcita, já ganhei cada k7 mais ou menos de pretê. Porque eles esquecem que é mensagem. E gravam só umas bandas horríveis. Tipo Point of No Return – aquela banda straight edge que era de SP. Ah, não dá. Mas já ganhei umas ótimas com Depeche Mode e Lou Reed cantando “Perfect Day”, outra com Bowie e The Queers. Mas sabe o que é legal os pretês fazerem também? Já assistiu Sidewalks of New York? Tipo aquela parte que o personagem do David Krumholtz (o menino de Numbers) leva a menina que ele tá afim em um sebo de discos e vai falando pra ela porque ela tem que ouvir esse e aquele álbum. Achei fofo. Pela atenção dispensada, sabe? Substituiu bem, isso. Uau. Pixies. E eu achava a Dri a cara da Kim Deal. Tipo conversa dos primórdios, essa. “Nossa, acho você tão a cara da Kim Deal”. Gente, eu te lembrei da amiga porque eu sou casada e virei uma chata?
    beijoca

  3. Nessa disse:

    eu ia escrever alguma coisa mas o telefone tocou e agora, quando voltei, não sei se era sobre o flavor flav (eu tenho um relógio de pendurar no pescoço, tá? morra de inveja! hehehe) ou sobre o teenage fanclub, que sempre foi e continua foda.
    que triste…
    eu tenho mesmo memória de peixe. 😦

    resposta:

    Sério mesmo Nessa? Do relógio? A gente tem que fazer uma balada Public Enemy/Run DMC! Beijocas, meu peixinho!

  4. Drica disse:

    haha…essa fitinha… quase arrebentamos ela, né? não ganhei o pretê, mas não faz mal… teenage supre essa “carência”…rs… sabe que uma vez eu tava me aproximando da escada da rolante do aspen e esse sujeito me viu e ficou desesperado…saiu quase que correndo… haha…
    mande novas…beijos.

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