e o verão que está acabando

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Quando chego de trem na estação e tenho que esperar 30 minutos até meu próximo ônibus, fico andando no shopping da estação. Eu penso se um dia quando eu já estiver bem velhinha, se vou lembrar que morei no Japão. Se tudo o que vi nesses últimos anos vai parecer algo que aconteceu com outra pessoa.

O jeito que a moça da padaria pergunta quantos minutos eu ainda vou demorar pra chegar em casa pra saber o quanto de gelo colocar no meu pedaço de bolo, o cheiro de chá verde que permeia em todos os lugares, comos os japoneses têm os dentes feios e amarelos, o barulho crocante da alga do oniguiri de atum que eu compro em qualquer esquina, as meninas que sempre andam de bicicleta e salto alto, falar inglês “japonesado” comos eles fazem (bathroom vira basurumu e assim vai), como todo mundo bebe chá oolong gelado no verão enquanto se abanam com leques, as pessoas comendo ramen em pé enquanto esperam o trem e como a cada ano que se passa eu assimilo um pouquinho a mais disso tudo.

Porque agora eu acho estranho se eu entrar em um lugar e ninguém falar seja bem-vindo (irashaimasse!) ou se por acaso alguém se esquecer de falar obrigado (arigatou gozaimasu). Como eu acho perfeitamente normal se o seu café da manhã for constituído de um bolinho de arroz recheado com atum embrulhado em alga com uma garrafinha de chá verde gelado ou como acho deselegante ver alguém andar de bicicleta de chinelo.

Acho que nunca fica-se tanto tempo em um lugar só sem você ser comprometido de alguma forma.

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3 comentários sobre “e o verão que está acabando

  1. madoka otsuka disse:

    Pois é, tanto tempo assim, num país tão peculiar como o Japão, não tem como não se comprometer…acho muito legal seu blog, muito interessante seus pontos de vista e livros q lê, sendo uma conterrânea, e não ficando no lugar comum de Gaparettos e cia…
    e viva o ramem ok?
    abraços
    Madoka

    resposta:
    Não que eu tenha nada contra a Zíbia, sabe Madoka? Nem conheço ela nem nada, coitada. Mas livros como o dela simplesmente não me interessam. E viva o ramen!

  2. Larissa disse:

    eu me lembro de algumas dessas coisas que vc falou, com um tanto de saudade. afinal, já fui arubaito (junto com a Priscila – 9 canciones). 3 meses, duas vezes,e nada mais que isso.
    combinis me fazem muita falta.
    me lembro muito bem das mulheres japonesas superelegantes andando de bicicleta com o sol matinal leve no rosto.
    algumas imagens não irão embora, mesmo quando vc já estiver velhinha 😉

    resposta:
    engraçado você dizer isso, que combini faz falta. porque quase nunca vou em, só pra pegar oniguiri básico e chá oolong – e no Brasil senti muita falta também! (menos do cheiro de Oden no inverno!)

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