face your pockets

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Isto é faceyourpockets. Desvendando nossas bolsas e bolsos. E isso não é nem 1/10 do que eu levo dentro da bolsa (pareço uma muambeira). Mas eu coloco a culpa na falta da carteira de habilitação.

  • livro, relógio, colar, espelho, elástico de cabelo, bala, protetor labial, chaves, band-aid.

Franny and Zooey* do Salinger foi um dos primeiros livros que eu comprei quando cheguei aqui em 2000. E todo o tema da crise espiritual da Franny me fascinou porque era uma forma de isolamento. E eu aqui, também isolada, porque quis. E o modo como ela critica o mundo acadêmico. E os diálogos entre a Franny eo Zooey (eles são irmãos) são os melhores, porque o Salinger permitiu um distanciamento do texto (ele não fica dizendo “então ela disse…”) – o que pra mim torna o texto fluente, parecendo uma peça de teatro.

E o livro faz esse contraponto com aquele outro: que a nossa missão não é ser o apanhador no campo de centeio (salvar as outras pessoas de sua ignorância, ser o sentinela do abismo) e se deixar obcecar com isso. E tem uma parte da conversa em que Zooey diz à Franny (e que lilustra bem isso):

“(…) It’s too damn personal, Franny, I mean it. You get a real homicidal glint in your eye when you talk about this Tupper**, for instance. All this business about his going into the men’s room to muss his hair before he comes in to class. All that. He probably does–it goes with everything else you’ve told me about him. I’m not saying it doesn’t. But it’s none of your business, buddy, what he does with his hair. It would be all right, in a way, if you thought his personal affectations were sort of funny. Or if you felt a tiny bit sorry for him for being insecure enough to give himself a little pathetic goddam glamour, but when you tell me about it–and I’m not fooling, now–you tell me about it as though his hair was a goddam personal enemy of yours. That is not right–and you know it. If you’re going to go to war against the System, just do your shooting like a nice, intelligent girl–because the enemy’s there, and not because you don’t like his hairdo or his goddam necktie. (…)”

* E abstrai o fato de que tudo quanto é cristão fica usando os textos do Salinger pra dar liçãozinha de moral. Eu fico puta com isso. Na apropriação. Mas enfim… Fico pensando o que o Camus diria.

** um dos professores da Franny.

Nessa: Eu li esse aí traduzido e me arrependo horrores. Traduções quase nunca são legais, né? Agora quero ler em inglês mesmo pra ver se eu fico mais sossegada. Mas amo Salinger. E odeio quem só leu “o apanhador…” hahaha. Eu odeio muita gente, né? =P Beijão, gatíssima!

Oh yeah, Nessa. Eu acho o mesmo de quem só ouviu Last Goodbye do Jeff Buckley quando assistiu Vanilla Sky e diz “ai, eu amo Jeff Buckley”.

O contraponto aqui.
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2 comentários sobre “face your pockets

  1. madoka otsuka disse:

    Giselle,
    Este do Salinger eu também tenho… em português, achei anos atrás num sebo…isso já faz um tempinho, fiquei assim…fissurada quando li o Apanhador e quis saber tudo do escritor, tenho até a biografia dele…corria atrás das coisas e tal, hoje em dia tenho pouco isso, o que é uma pena…ah! meu sonho é ter um sebo sabia?
    abração
    Madoka

    resposta:
    A não ser pela Sylvia Plath e pelo Stephen King, nunca quis saber muito da vida dos escritores. A obra sempre é mais compelling que quem escreve, acho.

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